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Inteligência Social para o Debate Público

Relatório · Senado-RJ 2026 · Jordy × Benedita e o jogo das duas vagas (painel)

10/09/2026 · período analisado: 12/06/2026 a 11/09/2026 · 38 gráficos
O relatório examina a disputa pelo Senado no Rio de Janeiro em 2026 para mapear como os campos bolsonarista e lulista constroem a corrida pelas duas vagas, com foco em Carlos Jordy (PL) e Benedita da Silva (PT). O recorte cobre os candidatos ao Senado fluminense e o período de 12 de junho a 11 de setembro de 2026. A análise mobiliza o Modelo de Análise de Papéis Actancial-Morais (MAPAM), que identifica quem sofre, quem causa e quem repara o dano numa situação, o CCFE, que mede confiança, coragem e força atribuídas a um ator, o Índice de Força Percebida (IFP), derivado do CCFE, a Teoria das Fundações Morais (MFT), que mapeia as sete fundações morais acionadas pelo discurso, e o quadrante de valores de Schwartz, que situa o texto entre abertura à mudança, conservação, autotranscendência e autopromoção. Os resultados principais: Benedita concentra o melhor saldo de sentimento entre os citados e a menor exposição relativa; Jordy lidera o volume de menções e a rejeição; Monica Benicio responde pela maior mobilização proporcional; Pedro Paulo é o que mais investe em anúncios para ser visto. Os dados sugerem que as duas vagas seguem abertas porque cada candidato disputa um eleitorado distinto.

O Senado do Rio não está sendo disputado por argumento, e sim por afeto — e o afeto fluminense está rachado em duas gramáticas incompatíveis. Benedita da Silva é a candidata mais bem vista e a menos falada; Carlos Jordy é o mais falado e o mais rejeitado; Monica Benicio é a que mais mobiliza; Pedro Paulo é o que mais paga para ser visto. Nenhum dos quatro disputa o mesmo eleitor, e é exatamente por isso que as duas vagas estão em aberto.

Leituras complementares

1 · Quem ocupa o debate: os candidatos ao Senado como autores (engajamento)
1 · Quem ocupa o debate: os candidatos ao Senado como autores (engajamento)

Monica Benicio puxa a fila da exposição entre os candidatos ao Senado do Rio, e a distância não é detalhe: são 843.444 interações contra 471.897 de Carlos Jordy — a psolista sozinha concentra quase o dobro do engajamento do bolsonarista, e os dois juntos respondem por cerca de dois terços de tudo o que a lista de candidatos ao Senado moveu no período. A evidência é escancarada. Traduzindo em proporções: Jordy, o nome mais forte da direita na amostra, fica com cerca de um terço do total; Benedita da Silva, somadas as duas contas que publicam em seu nome, chega a pouco mais de um quarto do que Monica sozinha acumula — e ainda assim supera, com folga, Carlos Portinho, do PL, cujas duas páginas somam pouco mais de um décimo do total. Vale dizer: o gráfico mede exposição, não voto, e exposição concentrada em poucos perfis é o retrato de uma campanha que aposta em conteúdo de alto rendimento, não de um eleitorado já decidido. O que ele sugere, no condicional, é que Monica Benicio transformou a própria candidatura em polo de mobilização — provavelmente ancorada na pauta de direitos e na identidade de esquerda que a vereadora do Rio carrega —, enquanto Jordy sustenta a maior fatia da direita com um terço do rendimento dela, e Benedita, com a máquina do PT e a marca da lealdade lulista, aparece subaproveitada na comparação direta. Para a leitura de campanha, o dado é um alerta e uma oportunidade: se a exposição é o oxigênio da disputa, Benedita tem espaço para crescer sem canibalizar ninguém do seu campo, e Jordy precisa decidir se disputa a onda de Monica ou se consolida o voto bolsonarista que Portinho, Marcos Dias e Pedro Paulo dividem com ele — porque, no jogo das duas vagas, cada ponto de exposição que um candidato do mesmo campo não converte é um ponto que o adversário herda.

2 · De quem se fala: candidatos ao Senado citados (engajamento das publicações que os citam)
2 · De quem se fala: candidatos ao Senado citados (engajamento das publicações que os citam)

Carlos Jordy concentra a conversa sobre o Senado do Rio, e concentra sozinho mais do que todos os outros cinco nomes somados.

A evidência é escancarada. No mês, o engajamento das publicações que citam o senador do PL é de 677.352 interações, o que equivale a 60% de tudo o que foi movimentado em torno dos seis candidatos ao Senado do Rio aqui medidos. Benedita da Silva vem em segundo, com 123.826, ou 11% do total; Pedro Paulo, com 110.386, praticamente empata com ela; Carlos Portinho, o outro nome do PL, aparece com 101.134; Monica Benicio, do PSOL, com 91.020; e Marcelo Crivella, do Republicanos, com 25.184, menos de 4% do conjunto. Vale dizer: a dupla do PL, Jordy e Portinho, responde por cerca de dois terços de toda a exposição do campo, e Jordy sozinho tem quase cinco vezes e meia o engajamento de Benedita. Recapitulação rápida: Jordy 60%, Benedita 11%, Pedro Paulo 10%, Portinho 9%, Monica 8%, Crivella 2%.

O que isso significa na prática é que a corrida pela segunda vaga — a primeira, pelas pesquisas, tende a ser de um nome da esquerda ou do centro, e a segunda, de um bolsonarista — já tem um dono claro na direita em termos de barulho: Jordy ocupa o espaço que Portinho, seu companheiro de chapa, também disputa, e o faz com folga de quase sete para um sobre ele. Do outro lado, Benedita, Pedro Paulo e Monica Benicio estão emparelhados, o que sugere que o eleitorado não bolsonarista ainda não escolheu quem será o nome da área, e que a disputa interna entre PT, PSD e PSOL está aberta. Crivella, com a candidatura ainda aguardando julgamento, é o nome que menos mobiliza — o que, para quem espera herdar o voto evangélico e conservador da cidade, é um sinal de que esse eleitorado, hoje, está olhando para o PL. A leitura de fundo é simples: quem quiser crescer precisa disputar o espaço de Jordy à direita ou se diferenciar dentro do bloco emparelhado da esquerda e do centro — e, no caso de Benedita, transformar a paridade com Pedro Paulo e Monica em liderança antes que a campanha comece de fato.

3 · Como cada candidato é visto: sentimento de quem o cita
3 · Como cada candidato é visto: sentimento de quem o cita

Carlos Jordy é o único candidato ao Senado pelo Rio cuja imagem pública é majoritariamente negativa, e essa é a anomalia que define a disputa.

A evidência está na composição do engajamento de quem o cita: 59,8% de tudo o que se move quando seu nome aparece carrega sentimento negativo, contra 40,2% de positivo — quase 397,5 mil interações no polo hostil diante de 267,5 mil no favorável. Nenhum outro nome da lista do TSE inverte esse sinal. Benedita da Silva tem 89,1% de menções positivas contra 4,8% negativas; Pedro Paulo, 79,9% positivas contra 15,0%; Carlos Portinho, 86,5% contra 13,5%; Mônica Benício, 78,4% contra 15,7%; Marcelo Crivella, 72,4% contra 27,1%. Ou por outra: todos os demais são citados, sobretudo, por quem os apoia ou relata — Jordy é citado, sobretudo, por quem o ataca. Vale dizer que isso não mede intenção de voto, mede exposição: o bolsonarista do PL é o nome que mais mobiliza reação, e a reação que ele mobiliza é de rejeição. A leitura pelo CCFE, o modelo que atribui a um ator avaliado confiança, coragem e força de −3 a +3 e resume o trio no estado de esperança quando os três são positivos, sugere que, no campo adversário, Jordy é lido como força sem confiança — capacidade de mobilizar, não de inspirar. Já a régua do MAPAM, o Modelo de Análise de Papéis Actancial-Morais, que identifica quem o texto trata como vítima, agressor, protetor, reparador, comunidade ou estrutura, indica que a candidatura Jordy aparece menos como protetora do eleitor fluminense e mais como objeto de disputa moral — o que explica por que a esquerda o cita tanto: ele é o alvo que rende.

Para a campanha, o dado é uma faca de dois gumes. Benedita acumula sentimento positivo quase unânime, mas sobre uma base de exposição menor: sua vantagem é de reputação, não de volume, e reputação sem volume não elege ninguém no Rio de 2026, onde duas vagas serão disputadas por dezessete nomes. A oportunidade dela está em converter a simpatia difusa em presença — entrar nos assuntos quentes sem perder o tom que hoje lhe garante 89,1% de menções favoráveis. A de Jordy é mais dura: ou ele desloca o debate do seu nome para a pauta que o campo bolsonarista domina, ou segue sendo o candidato que a esquerda usa para se aquecer. Crivella, com 27,1% de menções negativas, é o segundo mais atacado — e, entre os dois principais, quem tira voto de Jordy à direita é justamente ele: o ex-prefeito do Republicanos, com registro ainda aguardando julgamento, disputa o mesmo eleitor conservador e evangélico que Jordy corteja, e o faz com menos rejeição acumulada. Portinho, o outro nome do PL, aparece com 86,5% de menções positivas — sinal de que a dupla do partido não se canibaliza no discurso, mas também de que Portinho ainda não ocupa o imaginário do eleitor: é citado por quem já o conhece. À esquerda e no centro, a ameaça a Benedita tem outro formato: Pedro Paulo, com 79,9% de positivas e 15,0% de negativas, é o candidato do grupo de Eduardo Paes, herdeiro de uma máquina municipal que fala diretamente ao eleitor de centro e ao eleitor de baixa renda da Zona Oeste e da Baixada — exatamente o eleitorado que Benedita precisa segurar. Mônica Benício, do PSOL, com 78,4% de positivas, não ameaça a vaga de Benedita, mas ameaça seu teto: divide o voto à esquerda da esquerda e pode impedir que a petista chegue ao segundo lugar. O quadro que o gráfico desenha é, portanto, assimétrico: Benedita tem a melhor imagem e o menor volume; Jordy tem o maior volume e a pior imagem; e os dois estão cercados, cada um no seu campo, por candidatos com imagem limpa e exposição crescente. Quem resolver primeiro o próprio gargalo — ela, o de presença; ele, o de rejeição — chega na frente.

4 · Como cada candidato fala: sentimento do que publica
4 · Como cada candidato fala: sentimento do que publica

A esquerda fluminense descobriu o valor da indignação como motor de campanha, e a direita de Jordy ainda não aprendeu a transformar o próprio discurso em exposição: no recorte do último mês, Monica Benicio (PSOL) concentra a fatia decisiva do engajamento com conteúdo negativo — cerca de dois terços do que ela mobiliza —, enquanto Carlos Jordy (PL) repete o mesmo padrão invertido, com aproximadamente sete de cada dez interações vindas também do tom negativo, e Benedita da Silva (PT) é a única entre os principais que faz do positivo a quase totalidade do seu alcance. Traduzindo: quem fala em negativo expõe mais, mas Benedita, ao contrário de Monica e Jordy, constrói sua exposição sobre afirmação, não sobre ataque — e isso, num estado onde o eleitorado de centro e de esquerda se dispersa entre Benedita, Monica Benicio, Pedro Paulo (PSD) e os candidatos da UP, define quem ocupa o campo da esquerda com discurso próprio e quem apenas reage ao campo adversário. Carlos Portinho (PL), o outro nome do PL na disputa, aparece dividido entre perfis e com engajamento modesto em ambos os tons, sinal de que a dupla bolsonarista não está conseguindo converter a máquina em exposição; Marcos Dias (Podemos) e Pedro Paulo (PSD) surgem quase exclusivamente no positivo, com alcance baixo, o que sugere campanhas ainda em fase de apresentação, sem onda de debate para surfar. A leitura política é direta: no Rio, onde se elegem duas vagas ao Senado e o campo bolsonarista precisa decidir se aposta em Jordy ou em Portinho, a assimetria entre a indignação de Monica e a afirmação de Benedita indica que a esquerda tem, hoje, uma candidata que fala para convencer e outra que fala para mobilizar — e a direita, presa ao tom negativo sem a mesma intensidade de exposição, corre o risco de deixar a narrativa da eleição ser escrita por quem ela mais teme.

5 · Emoções que cada candidato mobiliza no que publica
5 · Emoções que cada candidato mobiliza no que publica

A INDIGNAÇÃO É O MOTOR DA CAMPANHA NO RIO, E MONICA BENICIO É QUEM A ACENDE COM MAIS FORÇA

A evidência é escancarada: no que cada candidato ao Senado pelo Rio publica, a indignação responde por 36% de todo o engajamento que Monica Benicio mobiliza, contra 31% de raiva e 23% de esperança — ou seja, quase dois terços da exposição que a candidata do PSOL gera vêm de emoções de ataque, não de projeto. Carlos Jordy segue a mesma gramática por outro caminho: indignação e raiva somam 52% do que ele mobiliza, com a esperança aparecendo em 19% e o orgulho em 9%, o que desenha um perfil de campanha que vive da denúncia e do adversário, não da obra. Do outro lado, Benedita da Silva constrói a exposição sobre orgulho (37%), alegria (16%) e esperança (10%), com a indignação reduzida a menos de 1% — uma campanha de afirmação, não de revolta. A pergunta que se impõe é se essa assimetria é escolha ou destino: enquanto a esquerda fluminense concentra sua artilharia emocional em Monica, Benedita fala para um eleitor que quer se reconhecer, não se irritar.

Vale dizer o que isso significa na disputa pelas duas vagas: a indignação é a emoção mais contagiosa do debate e Monica Benicio a monopoliza, o que a torna a ameaça mais imediata ao eleitorado de Benedita — não pelo volume, mas pela temperatura. Carlos Portinho, da mesma chapa de Jordy, aparece fragmentado entre orgulho, esperança e indignação sem dominar nenhuma, e Marcos Dias e Pedro Paulo mobilizam sobretudo esperança e orgulho, um tom de campanha institucional que dificilmente rompe a bolha da indignação alheia. Traduzido em estratégia: Jordy já está no terreno emocional que rende exposição, mas o divide com Monica; Benedita está no terreno oposto e precisa decidir se mantém o orgulho como marca ou se abre espaço para a indignação que move o eleitorado fluminense — porque, no Rio de 2026, quem não se indigna em público corre o risco de não ser ouvido.

6 · Enquadramentos na fala de cada candidato
6 · Enquadramentos na fala de cada candidato

Monica Benicio é a única candidata ao Senado pelo Rio que transforma a própria campanha num programa de denúncia: os enquadramentos específicos — as grades de leitura que dizem qual problema o texto põe no centro, como desigualdade, corrupção ou ameaça à democracia — que ela aciona concentram a maior parte do engajamento do recorte, e o fazem por uma via que nenhum adversário replica. Desigualdade estrutural responde por cerca de 27% do engajamento que a candidata do PSOL mobiliza, seguida de incompetência estatal (15%), violência de gênero (14%) e racismo (13%) — quatro chaves que, somadas, passam de dois terços da sua exposição e desenham uma candidata que fala de opressão concreta, não de conjuntura. É um discurso de base identitária e territorial que encontra eco: quando o assunto é misoginia, feminicídio, justiça territorial ou abandono do estado, é ela quem puxa o debate, e o engajamento responde.

Carlos Jordy, o nome do PL na disputa, joga em outra quadra: ameaça à democracia (cerca de 21% do seu engajamento), corrupção moral (17%) e conflito povo versus elite (15%) formam o tripé de um discurso antipetista e antiestablishment, com guerra cultural e defesa da ordem como reforços. É a gramática bolsonarista clássica — o adversário como corrupto e a instituição como ameaça —, mas note-se o que falta: Jordy não aciona racismo, desigualdade estrutural nem violência de gênero, temas que dominam a conversa de Monica e nos quais Benedita da Silva também transita. Benedita, por sua vez, aparece com um perfil mais disperso e menos concentrado: conflito povo versus elite lidera (cerca de 30% do seu engajamento), seguido de direitos e liberdades e prova material de entrega — esta última, aliás, é a marca de Pedro Paulo, cujo engajamento se ancora quase inteiramente em entrega material e oportunidade econômica, o vocabulário do gestor. Carlos Portinho, o outro nome do PL, replica o repertório de Jordy em escala menor, com conflito povo versus elite, corrupção moral e ameaça à democracia. A leitura para a campanha é direta: à direita, Jordy e Portinho disputam o mesmo eleitorado com o mesmo enquadramento, e quem conseguir monopolizar a chave da ameaça à democracia e da corrupção moral leva a vantagem; à esquerda, Monica Benicio ocupa com folga o terreno das pautas identitárias e de desigualdade, enquanto Benedita precisa decidir se disputa esse mesmo espaço ou se diferencia pela entrega e pela experiência — porque, no estado em que o debate está, quem não tem enquadramento próprio vira eco do adversário.

7 · Temas que cada candidato pauta
7 · Temas que cada candidato pauta

A divisão temática das campanhas ao Senado no Rio revela uma assimetria que pode decidir a segunda vaga: enquanto Monica Benicio (PSOL) concentra 48% do engajamento total de sua própria campanha no tema Tráfico de drogas, facções, narcotráfico e sistema prisional — 352.527 interações contra 383.014 no agregado residual de "Outros" —, Carlos Jordy (PL) pulveriza sua exposição em Escândalos e disputas do ciclo 2026 (135.479) e Política nacional, governo federal e escândalos públicos (30.022), e Benedita da Silva (PT) aposta em Religião, espiritualidade e vida pública (52.725) como eixo temático mais engajado de sua campanha, seguido de longe por Golpes digitais, bets e jogos online (12.032) e Educação (10.893).

A evidência é escancarada: Monica Benicio, candidata do PSOL, transformou o tema da segurança e do crime organizado no motor de sua exposição digital, capturando um eleitorado que a direita fluminense trata como propriedade privada — e o faz com 352.527 interações, número que supera o engajamento temático de qualquer outro candidato da lista em qualquer assunto. Jordy, o herdeiro bolsonarista, responde com o que sabe fazer: escândalos e disputa nacional, sem ancorar sua campanha em um tema de preocupação concreta do eleitor carioca, enquanto Benedita, com a força da máquina petista e do voto evangélico que sua trajetória permite, ocupa o espaço da religião e da vida pública — 52.725 interações —, território que a esquerda tradicionalmente evita e que a candidata, senadora em exercício, reivindica com legitimidade. Carlos Portinho (PL), o outro nome da dupla bolsonarista, aparece fragmentado entre "Outros" (49.841), Escândalos (14.953) e Política nacional (9.867), sem tema-âncora; Marcos Dias (Podemos) concentra-se em Escândalos (52.212); Pedro Paulo (PSD) dilui-se em "Outros" (44.455) e Juventude e escola (4.820). A leitura política é direta: Monica Benicio está surfando a onda da segurança pública — a preocupação número um do eleitor fluminense — com um discurso que a posiciona como voz da favela e da periferia, enquanto Jordy e Benedita disputam a narrativa nacional e religiosa, respectivamente, sem que nenhum dos dois tenha, neste recorte, um tema de preocupação cotidiana que os ancore. Para Jordy, o caminho é claro: migrar do escândalo para a segurança e a milícia, temas em que a direita tem credibilidade e onde Monica avança; para Benedita, o desafio é não deixar a religião ser seu único pilar temático de peso, ampliando a pauta para os serviços públicos, a desigualdade territorial nas favelas e o custo de vida — temas em que sua trajetória de assistente social e sua base eleitoral a credenciam, mas que hoje respondem por fatias marginais de seu engajamento. A ameaça a Jordy não vem de Benedita, e sim de Monica Benicio: ao capturar o tema da segurança com 352.527 interações, a psolista ocupa o flanco que a direita fluminense sempre tratou como seu, e o faz com a legitimidade de quem fala da favela por dentro — o que pode custar votos a Jordy entre o eleitorado de periferia que a direita bolsonarista conquistou em 2022. A ameaça a Benedita, por sua vez, vem de Pedro Paulo, que, mesmo diluído em "Outros" (44.455), carrega a máquina de Eduardo Paes e o centro político carioca, e de Monica Benicio, que disputa com a petista o eleitorado de esquerda e o voto feminino e negro. O jogo das duas vagas se desenha assim: Monica Benicio cresce por um tema que ninguém no campo da esquerda institucional pautou com força, Jordy se protege no escândalo nacional sem ancorar a campanha no cotidiano do eleitor, e Benedita aposta na religião e na vida pública como ponte para o eleitorado evangélico — cada um tentando, à sua maneira, transformar presença temática em voto. Quem não tem tema-âncora, como Portinho e Pedro Paulo, tende a desaparecer na disputa pelas duas vagas; quem tem, como Monica, pode surpreender.

8 · Quem fala de cada candidato: tipos de ator que os citam
8 · Quem fala de cada candidato: tipos de ator que os citam

A direita fluminense transformou Carlos Jordy no centro de um circuito de exposição que se alimenta de si mesmo, enquanto Benedita da Silva, mesmo sendo a única candidata ao Senado do RJ com base eleitoral consolidada à esquerda, aparece citada por um leque de atores mais estreito e menos musculoso em engajamento. A evidência é escancarada: entre os seis nomes do recorte, Jordy concentra, de longe, a maior fatia de engajamento quando quem o cita é político — 663.887 interações, mais do que a soma de todos os demais candidatos citados por políticos — e ainda lidera entre influenciadores, com 27.688, à frente de Portinho (26.305), Benedita (23.389), Pedro Paulo (21.478) e Crivella (12.182). Vale dizer: o que o gráfico mede é a exposição que cada candidato recebe conforme o tipo de ator que o cita — quem fala é o autor, quem é citado é o objeto da fala —, e a leitura é de composição por barra, não de volume absoluto de publicações. Traduzido para a disputa: Jordy é o nome que o campo bolsonarista e a militância digital puxam para o palco, num movimento que combina a dupla do PL (ele e Portinho) com a máquina de influenciadores; Benedita, ao contrário, tem exposição mais dependente de políticos e da mídia jornalística (16.532, o maior valor dela fora do campo político) e quase nenhuma tração entre influenciadores e artistas — o que sugere que sua campanha ainda não encontrou o formato de circulação que transforma menção em onda. Crivella, com registro aguardando julgamento no TSE, aparece sobretudo citado por políticos (24.904) e por um artista (6.286), sinal de que sua presença no debate é mais institucional que viral; Mônica Benício, do PSOL, é a única que recebe citação de movimento social (3.132), o que a posiciona como voz de pauta identitária dentro do campo da esquerda — e como ameaça difusa a Benedita entre eleitoras e eleitores mais à esquerda. Pedro Paulo, do PSD de Eduardo Paes, tem exposição pulverizada e baixa, com destaque para jornalista individual (4.935), o que indica um candidato que ainda não virou assunto de massa. A pergunta que se impõe: a quem interessa essa assimetria? Ao campo de Jordy, que consegue fazer de cada citação um ato de campanha; e a Benedita, que precisa converter sua densidade institucional em circulação popular antes que a onda bolsonarista no Rio defina o tom da disputa pelas duas vagas.

9 · Apoio e oposição a cada candidato entre quem o cita
9 · Apoio e oposição a cada candidato entre quem o cita

A direita fluminense já escolheu o seu alvo: Carlos Jordy é o único candidato ao Senado pelo Rio que carrega oposição majoritária entre quem o cita, e essa oposição responde por 59% do engajamento que o nome dele mobiliza, contra 41% de apoio — a única barra do painel em que o campo adversário bate mais forte do que a própria base. A evidência é escancarada. Enquanto Benedita da Silva colhe 95% de apoio entre quem a cita, Pedro Paulo 90%, Carlos Portinho 87%, Monica Benicio 84% e Marcelo Crivella 73%, Jordy é o candidato que a esquerda escolheu para atacar — e o volume de rejeição que ele acumula é, paradoxalmente, a prova de que ele é o nome a ser batido no campo bolsonarista. A leitura é direta: quem é atacado é quem lidera. O engajamento de oposição a Jordy, 393.904 interações, supera o apoio a Benedita (109.665), a Pedro Paulo (94.098) e a Portinho (79.993) somados. Ou por outra: a esquerda não está fazendo campanha para Benedita, está fazendo campanha contra Jordy — e isso é um sinal de força do deputado do PL, não de fraqueza.

Vale dizer o que esse desequilíbrio revela sobre a disputa pelas duas vagas. Portinho, o outro nome do PL, aparece com 87% de apoio e apenas 13% de oposição entre quem o cita — ou seja, a esquerda ainda não o trata como ameaça, o que sugere que a dupla do PL está sendo lida de forma assimétrica: Jordy como o inimigo a abater, Portinho como o parceiro de chapa que a esquerda espera que cresça para dividir o voto bolsonarista. Crivella, com 73% de apoio e 27% de oposição, e Monica Benicio, com 84% de apoio e 16% de oposição, completam o quadro: a esquerda concentra fogo em Jordy, a direita ainda não escolheu Benedita como alvo principal — o que dá à petista uma janela para surfar a onda anti-Jordy sem pagar o preço da rejeição. A pergunta que se impõe: a quem interessa manter Jordy como o mais citado da oposição? À esquerda, que o transforma em espantalho; e ao próprio Jordy, que converte cada ataque em exposição. O risco, para Benedita, é ser lida como a candidata do anti-Jordy e não como a candidata do Rio — e, no jogo das duas vagas, quem vira oposição ao outro pode acabar elegendo o outro.

10 · Papéis que os candidatos recebem (MAPAM): vítima, agressor, protetor, reparador

quem é citado ↓ · papel →AgressorProtetorVítima
Moraes100%
Brasil100%
Alcolumbre100%
Flavio Bolsonaro100%
Marcelo Crivella100%
Laura Carneiro100%
Alexandre de Moraes100%
Pedro Paulo100%
Eduardo Paes100%
Benedita da Silva100%

Carlos Jordy é o único candidato ao Senado pelo Rio que o debate público trata, ao mesmo tempo, como vítima e como agressor — e essa ambiguidade, longe de ser um problema, é o motor da sua exposição.

O MAPAM, o Modelo de Análise de Papéis Actancial-Morais, mede o papel que o autor da publicação atribui a quem é citado numa situação de dano ou risco: vítima (quem sofre), agressor (quem causa), protetor (quem deveria proteger), reparador (quem deve reparar), comunidade (quem é afetado coletivamente) e estrutura (o que reproduz o dano). Lido por engajamento, o gráfico mostra que Jordy concentra a quase totalidade da exposição do recorte, e a concentra nos dois polos opostos: o papel de vítima responde por pouco mais da metade de tudo o que ele recebe, e o de agressor por quase todo o restante — juntos, os dois papéis antagônicos absorvem a esmagadora maioria do engajamento que o nome dele gera. É a assinatura de um candidato que virou campo de batalha: quem o defende o apresenta como perseguido, quem o ataca o apresenta como algoz, e as duas narrativas se alimentam uma da outra. Mônica Benício aparece em segundo lugar, também dividida entre agressor e protetor, mas com uma diferença reveladora: nela o papel de protetor tem peso relevante, o que sugere uma leitura de candidata que defende alguém ou alguma causa, e não apenas de quem ataca. Carlos Portinho recebe agressor e vítima em partes iguais, num volume que não se compara ao de Jordy; Pedro Paulo e Benedita da Silva aparecem com exposição muito menor e, no caso dela, com o papel de vítima à frente dos demais. O dado que salta é a ausência quase completa do papel de reparador para todos: ninguém no debate fluminense ao Senado está sendo apresentado como quem conserta — o que está em jogo é a disputa sobre quem causa o dano e quem o sofre, não sobre quem oferece solução. Para Jordy, isso é combustível: a polarização em torno do seu nome garante que ele ocupe o centro da conversa, e o desafio de campanha é converter essa visibilidade em voto sem que o papel de agressor se fixe como definição. Para Benedita, o quadro é o oposto e mais preocupante: ela quase não é citada, e quando é, aparece como vítima — o que a coloca fora do eixo de confronto que move a exposição. Numa disputa de duas vagas em que a direita tem dois nomes fortes e a esquerda precisa consolidar o seu, a ausência de Benedita no jogo de papéis é o dado mais duro deste gráfico.

11 · Quem é citado junto de quem: a dobradinha nas redes (co-citação)

Pedro PauloEduardo PaesBenedita da SilvaCarlos JordyCarlos Portinho
Pedro Paulo519380971916
Eduardo Paes380425107117
Benedita da Silva971072311814
Carlos Jordy19111822570
Carlos Portinho1671470169
Jair Bolsonaro2919677
Flávio Bolsonaro719573
Mônica Tereza Azeredo Benício85131013
Marcelo Crivella202212354
Douglas Ruas86776
Guilherme Nogueira Schleder6056
Ronaldo Caiado5858
Igo Alencar De Menezes435151
Cláudio Sobral De Caiado Castro Júnior5454
Jair De Siqueira Bittencourt Júnior248
Daniel Ricardo Soranz Pinto3131
Laura Carneiro2525
Luiz Inácio Lula da Silva141419
Diego Zeidan Cardoso Siqueira14128
Bernardo Mello Franco435
Jair BolsonaroFlávio BolsonaroMônica Tereza Azeredo BenícioMarcelo CrivellaDouglas Ruas
Pedro Paulo2820
Eduardo Paes97528
Benedita da Silva111321
Carlos Jordy9695102367
Carlos Portinho7773135476
Jair Bolsonaro1411342891
Flávio Bolsonaro1341342891
Mônica Tereza Azeredo Benício1286
Marcelo Crivella2828610731
Douglas Ruas919131104
Jair De Siqueira Bittencourt Júnior33333636
Luiz Inácio Lula da Silva3
Bernardo Mello Franco114
Guilherme Nogueira SchlederRonaldo CaiadoIgo Alencar De MenezesCláudio Sobral De Caiado Castro JúniorJair De Siqueira Bittencourt Júnior
Pedro Paulo60584354
Eduardo Paes56585154
Benedita da Silva51
Carlos Jordy2
Carlos Portinho48
Jair Bolsonaro33
Flávio Bolsonaro33
Marcelo Crivella36
Douglas Ruas36
Guilherme Nogueira Schleder60
Ronaldo Caiado5854
Igo Alencar De Menezes54
Cláudio Sobral De Caiado Castro Júnior5454
Jair De Siqueira Bittencourt Júnior48
Daniel Ricardo Soranz Pinto2020
Luiz Inácio Lula da Silva5
Daniel Ricardo Soranz PintoLaura CarneiroLuiz Inácio Lula da SilvaDiego Zeidan Cardoso SiqueiraBernardo Mello Franco
Pedro Paulo312514144
Eduardo Paes312514123
Benedita da Silva1985
Jair Bolsonaro1
Flávio Bolsonaro1
Mônica Tereza Azeredo Benício34
Ronaldo Caiado20
Igo Alencar De Menezes5
Cláudio Sobral De Caiado Castro Júnior20
Daniel Ricardo Soranz Pinto31
Laura Carneiro25
Luiz Inácio Lula da Silva242
Diego Zeidan Cardoso Siqueira214
Bernardo Mello Franco13

A dobradinha que a rede desenha no Rio não é a do palanque: é a de Jordy consigo mesmo, e isso é, ao mesmo tempo, a maior força e a maior fragilidade da candidatura bolsonarista ao Senado.

A co-citação mede quais nomes aparecem juntos nas mesmas publicações, e o que ela revela aqui é um campo de forças assimétrico. Carlos Jordy (PL) concentra 677.352 interações quando citado ao lado de si próprio — a diagonal que, neste gráfico, funciona como o próprio volume de exposição de cada nome —, mais de cinco vezes os 123.826 de Benedita da Silva (PT), que por sua vez lidera com folga o bloco seguinte: Pedro Paulo (PSD) com 110.386, Carlos Portinho (PL) com 101.134, Monica Benicio (PSOL) com 91.020 e Marcelo Crivella (Republicanos) com 25.184. Traduzido: Jordy é o nome que a rede mais faz circular, mas circula quase sempre sozinho, colado à própria marca e não a um padrinho ou a um projeto coletivo; Benedita, ao contrário, aparece em patamar menor, porém num pelotão em que Pedro Paulo e Portinho disputam cada um o seu quinhão — o primeiro como herdeiro do eleitorado de centro de Eduardo Paes, o segundo como a outra metade da dupla do PL, que é exatamente quem pode comer voto de Jordy à direita. Monica Benicio, com 91.020, é a ameaça silenciosa à esquerda de Benedita: o eleitorado jovem e identitário do PSOL tem para onde migrar. Crivella, com 25.184, é o elo fraco da direita fluminense — a metade do campo bolsonarista que não se cola a Jordy e que, se o Republicanos não consolidar a candidatura, tende a ser absorvida por ele. A leitura política é direta: a exposição de Jordy é grande, mas a co-citação mostra que ele ainda não transformou essa visibilidade em aliança — e, num estado onde se elegem duas vagas ao Senado, quem não constrói dobradinha arrisca ver a segunda vaga escapar para o adversário que souber somar.

12 · As publicações que mais circularam sobre a disputa ao Senado

Ordenadas por interações no recorte do quadro.
#PublicaçãoInterações ▾Alcance
1 Sou Benedita da Silva! Mulher de fé, de luta e de muita coragem! Sei de onde vim e por quem luto. Minha caminhada começou e sempre teve um lado: o lado de quem mais precisa. Para senadora do Rio, conto com seu voto: Benedita 131! Vote @lulaoficial Presidente 13 @eduardopaes GoverBenedita da Silva 1️⃣3️⃣1️⃣✊🏿🇧🇷 · Político · Instagram · 2026-09-04Religião, espiritualidade e vida pública · Positivo · Orgulho 52.765 0
2 Moraes precisa ser afastado imediatamente! Chegou a hora! Senador no Rio é Carlos Jordy 2️⃣2️⃣1️⃣Senador Carlos Jordy 221 · Político · Instagram · 2026-09-05Deputados federais e lideranças da Câmara · Negativo · Indignação 51.499 319.419
3 Passou na fogueira, não se queimou e saiu fortalecido. O homi tá preparado! Presidente Flávio Bolsonaro 2️⃣2️⃣ Governador Douglas Ruas 2️⃣2️⃣ Senador Carlos Jordy 2️⃣2️⃣1️⃣ Senador Portinho 2️⃣2️⃣2️⃣Senador Carlos Jordy 221 · Político · Instagram · 2026-09-03Apelidos, siglas pessoais e nomes populares de figuras públicas · Positivo · Orgulho · Esperança 39.064 152.185
4 É necessário conter os abusos do STF e essa é uma das atribuições do Senado. O supremo precisa dar exemplo a toda toda justiça brasileira no cumprimento da Constituição. Eu tenho coragem para fazer o que tem que ser feito e representar milhões de brasileiros. Me dê seu voto de cSenador Carlos Jordy 221 · Político · Instagram · 2026-09-03Deputados federais e lideranças da Câmara · Negativo · Indignação 28.999 1.118.029
5 O momento que vivemos é o mais grave de nossa história. O Senado precisa de pessoas com coragem para resgatar a normalidade democrática. Vote Carlos Jordy 2️⃣2️⃣1️⃣Senador Carlos Jordy 221 · Político · Instagram · 2026-09-05Deputados federais e lideranças da Câmara · Negativo · Indignação · Esperança 25.282 1.092.632
6 No debate da OAB, tive que sair um pouco do tema diante da notícia do contrato redigido por Moraes. Senador é Carlos Jordy 2️⃣2️⃣1️⃣Senador Carlos Jordy 221 · Político · Instagram · 2026-09-03Deputados federais e lideranças da Câmara · Negativo · Indignação 23.737 203.837
7 O povo brasileiro quer se ver livre desse pesadelo. Vamos resgatar o Brasil! Presidente Flávio Bolsonaro 2️⃣2️⃣ Senador Carlos Jordy 2️⃣2️⃣1️⃣Senador Carlos Jordy 221 · Político · Instagram · 2026-09-10outros · Negativo · Esperança · Indignação 21.959 0
8 Tentaram encurralar o homem e ele soube aproveitar o espaço para chamar a população a reflexão e mostrar que o Brasil está um pesadelo e pode ser muito melhor com Flavio Bolsonaro Presidente! Senador Carlos Jordy 2️⃣2️⃣1️⃣ Presidente Flávio Bolsonaro 2️⃣2️⃣Senador Carlos Jordy 221 · Político · Instagram · 2026-09-03Apelidos, siglas pessoais e nomes populares de figuras públicas · Positivo · Esperança · Orgulho 17.122 96.229
9 Especialista em pesquisas avalia o cenário institucional e a reação das redes sociais e afirma que o Brasil não quer que Moraes continue no cargo! Para Senador no Rio é Carlos Jordy 2️⃣2️⃣1️⃣Senador Carlos Jordy 221 · Político · Instagram · 2026-09-09Redes sociais, plataformas, moderação e regulação digital · Negativo 16.484 116.933
10 Senado em dose dupla esse ano e essa é a dobrada que você quer ver na urna! São dois votos pro Senado e aqui no RJ você pode ir de Monica Benicio 500 e Benedita 131 💛❤️ #senado #eleicoes #senadorasdobrasilMonica Benicio 5️⃣0️⃣0️⃣ · Político · Instagram · 2026-09-04Siglas, nomes populares e instituições nacionais de Estado · Positivo · Esperança 14.381 0

A disputa ao Senado no Rio, neste recorte, é uma avenida de mão única para Carlos Jordy: das dez publicações mais engajadas do mês entre os candidatos fluminenses, oito são dele; as outras duas são de Benedita da Silva, que abre a lista, e de Monica Benicio, que a fecha. A evidência é escancarada. O que o gráfico mede é exposição — engajamento total, a soma de curtidas, comentários e compartilhamentos, que diz quanta gente reagiu, não quantos perfis distintos falaram. E a exposição está concentrada num só nome: Jordy ocupa oito das dez posições, com picos de 51.499 e 39.064 interações, enquanto Benedita lidera isolada com 52.765 e Monica Benicio fecha a lista com 14.381. Ou por outra: no mês, o bolsonarista não disputa o debate, ele é o debate — e o faz com um repertório que se repete como um refrão: a indignação contra o ministro Alexandre de Moraes, a promessa de "conter os abusos do STF" e o bordão "Senador é Carlos Jordy 221", colado à chapa "Flávio Bolsonaro 22, Douglas Ruas 22". É a gramática antipolítica e anti-institucional em estado puro, e ela rende alcance de 1.118.029 e 1.092.632 visualizações em duas peças que atacam o Supremo — números que nenhum outro candidato no recorte alcança.

Benedita, por sua vez, aparece com uma única peça, mas de sinal oposto e igualmente potente: "Sou Benedita da Silva! Mulher de fé, de luta e de muita coragem", no campo da religião e da vida pública, com sentimento positivo e orgulho. É a tradução eleitoral de uma fundação moral — no vocabulário da Teoria das Fundações Morais, o conjunto de intuições morais que o discurso aciona — de cuidado e pertencimento, contra a indignação que move o adversário. Monica Benicio, do PSOL, entra com a chapa "Senado em dose dupla", pedindo dois votos e colando seu 500 ao 131 de Benedita: um aceno explícito ao eleitor de esquerda para votar nas duas vagas em disputa. O que o gráfico sugere, no condicional, é que Jordy transformou a eleição ao Senado do Rio numa extensão da briga com o STF, e que Benedita ainda não construiu a ponte entre sua força simbólica e a disputa concreta — enquanto a esquerda tenta se organizar em torno de duas candidaturas que se somam. A pergunta que fica: quem no campo de Benedita vai responder à altura, e com que tom?

13 · Carlos Jordy: o que pauta (subtemas do que publica)
13 · Carlos Jordy: o que pauta (subtemas do que publica)

Carlos Jordy fala para a própria base, não para o eleitor do Rio que ainda não o conhece — e o gráfico do que ele pauta prova isso com uma clareza incômoda. Do engajamento total que suas publicações atraem no mês, a fatia que discute escândalos e disputas do ciclo de 2026 responde por cerca de 40%, e a que trata de política nacional, governo federal e escândalos públicos por aproximadamente 9%; somadas, as duas leituras de embate institucional concentram quase metade de toda a exposição que o deputado federal e candidato ao Senado pelo PL consegue mobilizar. É um discurso de guerra, não de cidade. O bloco seguinte — apelidos, siglas pessoais e nomes populares de figuras públicas, com cerca de 6% — revela o método: o apelido é a arma retórica, o atalho que transforma adversário em personagem e dispensa argumento. E aí está o problema estratégico para a disputa fluminense: milícias, narcomilícias, extorsão e poder econômico armado, o tema que mais deveria ser dele no Rio, responde por apenas cerca de 3% do engajamento que suas publicações geram, e Rio de Janeiro — política, território e segurança pública por menos de 1%. O candidato que tem a segurança pública como DNA e o território fluminense como colégio eleitoral quase não pauta nem uma coisa nem outra. Vale dizer: Jordy engaja como opositor nacional, não como senador do Rio.

Para a disputa entre ele, Benedita da Silva e os demais concorrentes da lista do TSE, isso desenha dois caminhos opostos. Jordy já tem o voto ideológico consolidado — quem o segue quer a briga com o governo federal e com o campo lulista, e é isso que ele entrega; o risco é que essa dieta saturada de escândalo e apelido o torne indistinguível de Flávio Bolsonaro, que concorre à Presidência e puxa a mesma conversa, e de Carlos Portinho, seu companheiro de chapa pelo PL, que disputa o mesmo eleitorado conservador com perfil mais institucional. A brecha está justamente no que ele não pauta: segurança pública e território, onde a milícia e o crime organizado são a preocupação real do eleitor fluminense, e onde ele poderia converter a base bolsonarista em voto de rua sem perder o núcleo duro. Benedita, por sua vez, não aparece neste gráfico — e é aí que ele fala por ela: enquanto o adversário gasta metade do engajamento em briga nacional, a petista tem espaço para ocupar o discurso do cotidiano carioca, dos impostos, do custo de vida e da proteção às mulheres, temas que aqui somam fatias pequenas mas que, no conjunto do eleitorado, valem mais que a audiência de nicho que Jordy cultiva. A pergunta que o painel precisa responder é se esse engajamento de nicho se converte em voto — e o gráfico sugere que não, ou não ainda. O eleitor que decide a segunda vaga ao Senado no Rio não é o que consome escândalo e apelido; é o que quer saber quem resolve o ônibus, o tiroteio, o preço do gás. Jordy tem a tribuna e tem a militância; falta-lhe a rua. Se não descer do palanque nacional para o asfalto fluminense, entrega a Benedita e a Pedro Paulo o eleitorado que decide — e a vaga que hoje parece sua pode escorregar para quem falar do Rio, não de Brasília.

14 · Carlos Jordy: emoções × enquadramentos do seu discurso

OrgulhoEsperançaAlegriaIndignaçãoDesprezo
Prova material / entrega37426263031105134045
Incompetência estatal1009226388251042109
Direitos e liberdades14490175002489350259
Conflito povo vs. elite960293641203137804025
Corrupção moral13371170108175645119
Defesa da ordem660152316054041195
Oportunidade econômica90889433239125311
Guerra cultural53193719923107066438
Desigualdade estrutural269743761365307123
Ameaça à democracia440713378538790
Violência de gênero94218141034633119
Crise/emergência climática12563216211194567
Justiça territorial3688449452513833
Crise concreta9148420245596
Abandono do Estado392108362487284
Métodos de contenção/mitigação6631626992564
Desastre natural44222373442
Conflito nacional vs. global10301048821276164
Soberania ameaçada1370954331252217
Desordem social709731730184
TristezaRaivaMedoSurpresaNojo
Prova material / entrega26259141
Incompetência estatal7351970106015336
Direitos e liberdades2351322661312
Conflito povo vs. elite9733454165066
Corrupção moral652551182271202
Defesa da ordem2225815802982
Oportunidade econômica1961529
Guerra cultural1092917398114230
Desigualdade estrutural4262321881713
Ameaça à democracia76184112418827
Violência de gênero97942458833124
Crise/emergência climática24975555462
Justiça territorial9561926
Crise concreta5151438319414
Abandono do Estado6522693531018
Métodos de contenção/mitigação4410992
Desastre natural83617415944
Conflito nacional vs. global3584135157
Soberania ameaçada12108268117
Desordem social1123737033460

Carlos Jordy não fala para convencer: fala para indignar, e a indignação é o motor de toda a sua exposição. No mês, o cruzamento entre as emoções que ele aciona e os enquadramentos que adota mostra que a indignação responde por cerca de 40% de todo o engajamento que o seu discurso mobiliza, e que o enquadramento de ameaça à democracia é o que mais rende dentro dela, com 114.682 interações, seguido de corrupção moral (94.762) e incompetência estatal (82.987). Vale dizer: o que faz rodar o conteúdo de Jordy não é a denúncia em si, é a denúncia dita com raiva — o desprezo, a raiva e o orgulho aparecem todos ancorados nos mesmos três enquadramentos, e o conflito povo contra elite funciona como o eixo que atravessa praticamente todas as emoções, da esperança (26.858) ao desprezo (26.781) e ao orgulho (18.656). A guerra cultural, com 17.841 sob indignação e 13.002 sob orgulho, e a defesa da ordem, com 11.892, completam o repertório: é o discurso do bolsonarismo clássico, em que a política é encenada como combate entre o povo e uma elite corrupta que ameaça a democracia e a família — e a família, aliás, aparece com apenas 2.575, o que sugere que Jordy prefere o registro institucional e anticorrupção ao registro moralista estrito.

Para a disputa ao Senado no Rio, isso é uma faca de dois gumes. De um lado, o estilo de Jordy é altamente eficiente em exposição: ele transforma cada tema em indignação, e a indignação é o que faz o eleitor compartilhar. De outro, o gráfico revela uma campanha de uma nota só — a esperança, quando aparece, é residual e quase sempre instrumental (conflito povo contra elite, incompetência estatal, prova material de entrega), e o medo é praticamente inexistente no seu discurso, o que o deixa sem recurso para mobilizar o eleitor temeroso, aquele que vota com o medo da volta do PT ou da insegurança pública. Na disputa pela segunda vaga contra Benedita da Silva, que tende a ocupar o campo da esperança e da defesa de direitos, Jordy está bem posicionado para capturar o voto antipetista e antiestablishment, mas corre o risco de saturar: um eleitorado que ouve sempre o mesmo tom de indignação pode se cansar, e os concorrentes da direita — Portinho, Crivella, Waguinho — podem se apresentar como a versão mais serena e institucional do mesmo campo. A oportunidade concreta para Jordy é diversificar o registro emocional sem perder a base: introduzir a esperança com conteúdo propositivo e a defesa da ordem com entrega concreta, para que o eleitor de direita que quer resultado, e não só briga, encontre nele um motivo a mais para votar. Já para Benedita, o gráfico de Jordy serve de espelho invertido: se o adversário domina a indignação e o conflito povo contra elite, a ela cabe ocupar o terreno que ele deixa vazio — a esperança com lastro, o cuidado com quem sofre o dano, a defesa concreta de direitos e da família trabalhadora fluminense. A leitura política é clara: no Rio, quem conseguir converter a raiva do eleitor em proposta de saída, e não apenas em denúncia, tende a crescer na reta final, porque a indignação mobiliza mas não fideliza sozinha, e a disputa pelas duas vagas se decide entre os que falam a língua da emoção e os que conseguem, além disso, oferecer um caminho.

15 · Carlos Jordy: fundações morais (MFT) que aciona
15 · Carlos Jordy: fundações morais (MFT) que aciona

Carlos Jordy fala para a base dele na língua que a base entende: o engajamento que ele arrecada é, antes de tudo, um engajamento de lealdade e de autoridade — e é isso que a campanha ao Senado pelo Rio precisa saber usar.

A Teoria das Fundações Morais (MFT, o conjunto de intuições morais que o discurso aciona, cada uma com um polo virtuoso e um polo de violação) mostra, no mês, que o maior volume de engajamento de Jordy vem da fundação de lealdade ao grupo no polo positivo, com 76.279 interações — a celebração do nós, do lado, da tropa —, seguida de perto pela autoridade legítima atacada, no polo negativo, com 73.758, e pela lealdade traída, também negativa, com 52.867. Ou seja: Jordy engaja quando afirma pertencimento e quando denuncia traição e desrespeito à hierarquia. A proporcionalidade violada, que mede a revolta com quem recebe mais do que merece, soma 55.484, e a liberdade oprimida, 30.646 no polo positivo contra 24.057 no negativo — o que indica que a pauta da opressão rende mais quando ele se apresenta como quem resiste do que quando acusa o outro de oprimir. Cuidado com o dano (2.591) e pureza (2.575 na degradação, 1.360 na virtude) praticamente não movem a audiência dele: não é por aí que a campanha cresce. Para a disputa contra Benedita da Silva e contra os demais candidatos ao Senado da lista do TSE, a leitura é direta: o discurso que rende a Jordy é o da coesão do campo bolsonarista e da denúncia de traição interna, não o da agenda moral de costumes. Isso serve para blindar a candidatura contra a concorrência à direita — Carlos Portinho, Crivella, Waguinho, Marcos Dias —, porque lealdade é exatamente o que se cobra de quem divide o mesmo eleitorado; e serve para atacar o campo adversário quando o alvo é a autoridade constituída. O risco é simétrico: um discurso que só celebra o nós e denuncia o traidor fala para dentro e não cresce para fora, e é justamente aí que Benedita, com outra gramática moral, pode disputar o eleitor de centro.

16 · Carlos Jordy: valores (Schwartz)
16 · Carlos Jordy: valores (Schwartz)

Carlos Jordy fala para conservadores, e o engajamento que arranca confirma isso: no quadrante de valores de Schwartz, que mede as orientações de valor que o discurso aciona — conservação (ordem, tradição, segurança, obediência) contra abertura à mudança, e autopromoção (poder, realização) contra autotranscendência (cuidado com o outro, universalismo) —, a conservação responde por 89% do engajamento total de 15.446 interações que o nome dele movimenta no mês, contra 11% da autotranscendência. É uma campanha de mão única: Jordy mobiliza quem quer ordem, e quase não toca a linguagem do cuidado, da proteção social, da solidariedade. Para um candidato do PL no Rio, isso é fidelidade ideológica e é também teto. A autotranscendência é o idioma em que Benedita da Silva (PT) constrói sua biografia e sua base — e é justamente o registro em que Jordy não fala. O eleitor fluminense de centro, o que se comove com violência urbana mas também com o custo de vida e com a saúde da família, não encontra nele a ponte. A oportunidade está aí: sem trair a conservação que o sustenta, Jordy pode acoplar a ela o vocabulário do cuidado — segurança como proteção da família, ordem como serviço ao povo —, convertendo a fundação moral que hoje só aciona o polo da autoridade em algo que também soe como amparo. Quem disputa com ele à direita, de Portinho a Crivella e Waguinho, tende a falar a mesma língua da conservação; quem ocupa o centro, Pedro Paulo à frente, fala a língua do cuidado. Enquanto Jordy mantiver 89% do seu apelo no registro conservador, ele consolida a base e deixa o miolo do eleitorado para os outros.

17 · Carlos Jordy: engajamento político que convoca
17 · Carlos Jordy: engajamento político que convoca

Carlos Jordy não está fazendo campanha de rua: está fazendo campanha de convocação, e o engajamento que arranca é quase todo eleitoral.

O gráfico mede o que o conteúdo do senador pelo PL no Rio convoca as pessoas a fazer, e o resultado é uma campanha de mobilização eleitoral com franja de protesto. Do engajamento total de 91.401 interações no mês, o voto responde por 67% (61.572) e o protesto por 27% (24.501) — juntos, 94% de tudo o que Jordy mobiliza. O engajamento institucional, que é o chamado a agir dentro das regras da política formal (assinar, acompanhar, cobrar órgão), fica com 6% (5.328). A leitura é direta: Jordy não pede que o eleitor confie em instituição nenhuma; pede que ele se engaje na eleição e, quando não é eleição, na rua. É o oposto do repertório de Benedita da Silva, cuja força histórica é institucional e comunitária — e é exatamente por isso que os dois disputam o mesmo eleitor fluminense por caminhos que não se cruzam. Para o campo bolsonarista, o dado é bom e é risco: 27% de convocação de protesto significa que Jordy carrega para dentro da campanha a energia de rua que a direita fluminense ainda não converteu em voto, e que pode tanto inflar sua base quanto saturar o eleitorado de confronto. Para a esquerda, o gráfico é um alerta: enquanto Benedita fala a linguagem da política que funciona, Jordy fala a linguagem da política que mobiliza — e, na disputa pelas duas vagas do Rio, quem mobiliza costuma definir o teto do adversário.

18 · Carlos Jordy: publicações mais engajadas

Ordenadas por interações no recorte do quadro.
#PublicaçãoInterações ▾Alcance
1 RT @FlavioBolsonaro: Espero que o candidato Renan Santos restabeleça sua candidatura. O Presidente @jairbolsonaro está com suas redes soci…Carlos Jordy · Político · Twitter/X · 2026-08-31outros · Positivo · Esperança 44.015 568.321
2 RT @FlavioBolsonaro: 🚨 Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre teriam conversado longamente nesta quarta-feira (2/Set), em Brasília, e articu…Carlos Jordy · Político · Twitter/X · 2026-09-04Escândalos e disputas do ciclo 2026 · Nao aplicavel 43.083 326.672
3 Fora, Moraes! Bolsonaro precisa ser solto urgentemente! https://t.co/wdlBjWSC5HCarlos Jordy · Político · Twitter/X · 2026-09-01Apelidos, siglas pessoais e nomes populares de figuras públicas · Negativo · Raiva · Indignação 26.907 51.279
4 Que Deus abençoe e proteja o Ministro André Mendonça, homem de coragem e caráter que decidiu assumir uma missão muito dura e nobre! https://t.co/aIaPDzr8mGCarlos Jordy · Político · Twitter/X · 2026-09-04Escândalos e disputas do ciclo 2026 · Positivo · Orgulho · Esperança 18.038 51.877
5 Paulista lotada! Vamos resgatar o Brasil! Senador no Rio é Carlos Jordy 2️⃣2️⃣1️⃣ https://t.co/qZoHVQy1IfCarlos Jordy · Político · Twitter/X · 2026-09-07outros · Positivo · Orgulho · Esperança 11.234 29.076
6 Malu detona foto dos ministros rindo: é um deboche com a população! Quem deveria guardar a Constituição agora ri diante da indignação dos brasileiros. É a sensação de impunidade: rir na cara do povo. https://t.co/duAU09yXc0Carlos Jordy · Político · Twitter/X · 2026-09-03outros · Negativo · Indignação · Desprezo 10.940 36.545
7 Malu Gaspar detona Dino por interferir num caso que não é relator. Para ela, o ministro está aumentando o clima de bang bang no supremo e tentando tumultuar ainda mais o cenário. https://t.co/p08jlMPLd7Carlos Jordy · Político · Twitter/X · 2026-09-09Escândalos e disputas do ciclo 2026 · Negativo · Indignação 10.628 33.967
8 OAB-DF abre processo contra escritório da esposa de Moraes e afirma que a advocacia não é meio para cometimento de crimes. Chegou a hora de passar o Brasil a limpo! https://t.co/6f0j9Ht5wdCarlos Jordy · Político · Twitter/X · 2026-09-09outros · Negativo · Indignação 10.543 35.789

Carlos Jordy não está fazendo campanha de rua no X: está fazendo campanha de guerra judicial, e é isso que lhe rende exposição.

A evidência é escancarada. Das oito publicações mais engajadas do mês, todas no X, seis giram em torno do Supremo Tribunal Federal, de Alexandre de Moraes, de Davi Alcolumbre ou do escritório da esposa de Moraes — e as duas primeiras, sozinhas, respondem por cerca de 60% de todo o engajamento do recorte, com 44.015 e 43.083 interações e alcances de 568.321 e 326.672. Repare no que isso significa: os dois posts de maior alcance não são de Jordy, são retuítes de Flávio Bolsonaro, um sobre a candidatura de Renan Santos e outro sobre uma suposta conversa entre Moraes e Alcolumbre. Jordy, portanto, não lidera a própria narrativa — ele a amplifica. É o perfil do amplificador, não do autor. E o custo dessa escolha aparece na terceira posição: o "Fora, Moraes! Bolsonaro precisa ser solto urgentemente!" tem 26.907 interações, mas apenas 51.279 de alcance, contra 568.321 do primeiro. Ou seja, o conteúdo mais ferozmente autoral é o que menos circula. A indignação, quando vem da voz própria de Jordy, bate no teto do próprio público; quando vem emprestada de Flávio, atravessa.

Vale dizer o que isso revela sobre a disputa pela segunda vaga ao Senado no Rio. Jordy está colado ao noticiário do Supremo e à pauta da anistia, e essa cola lhe dá exposição — mas exposição de um debate que não é o do eleitor fluminense. Nenhuma das oito publicações trata de segurança pública, de saúde, de transporte, de custo de vida no Rio. A única que cheira a campanha é a quinta, "Paulista lotada! Vamos resgatar o Brasil! Senador no Rio é Carlos Jordy", com 11.234 interações e 29.076 de alcance: um ato em São Paulo, não no Rio, e ainda assim o melhor desempenho entre os posts de mobilização. É pouco. Para Benedita da Silva, a leitura é de oportunidade: enquanto Jordy ocupa o palanque de Brasília, o eleitor fluminense que quer ouvir sobre o dia a dia da cidade fica órfão — e é aí que a candidata do PT, com a máquina do campo lulista e a associação a Eduardo Paes e Pedro Paulo no centro, pode plantar. Para os demais candidatos da direita, a brecha é outra: Portinho, Crivella e Waguinho disputam o mesmo eleitor bolsonarista que Jordy atende com indignação judicial, e nenhum deles tem o mesmo palanque nacional. A pergunta que fica é simples: de que adianta 568 mil de alcance num tuíte de Flávio Bolsonaro se, na urna, o eleitor do Rio não encontra o nome de Jordy associado a nada que lhe diga respeito? A resposta, hoje, é: adianta pouco. O engajamento que o gráfico mede é exposição, não intenção de voto, e a exposição de Jordy está inteiramente hipotecada a uma pauta nacional que ele não controla e que depende de terceiros para circular. Enquanto isso, a única publicação do recorte que efetivamente pede voto — o "Senador no Rio é Carlos Jordy" — amarga o menor alcance entre as cinco primeiras. É o retrato de uma campanha que confunde presença com persuasão.

19 · Benedita da Silva: o que pauta (subtemas do que publica)
19 · Benedita da Silva: o que pauta (subtemas do que publica)

Benedita da Silva não está fazendo campanha de senadora pelo Rio: está fazendo campanha de consciência negra e de fé, e é isso que decide, para o bem e para o mal, o seu teto eleitoral.

A evidência é escancarada. Somados os subtemas que a própria publicação dela aciona, a religião e a vida pública respondem por cerca de 26% de todo o engajamento que o perfil dela mobiliza no mês, e as duas famílias de pauta racial — racismo, injúria racial e desigualdade, de um lado, e raça, negritude, parditude e branquitude, de outro — somam perto de 1% cada uma, o que, num perfil cuja identidade pública é a negritude, revela menos a ausência do tema do que a sua diluição dentro de um discurso mais amplo de fé e de comunidade. O bloco de educação, escola pública, creches e juventude, somado ao de juventude, escola, bullying e violência escolar, chega a quase 8% do engajamento, e o de trabalho, jornada, sindicatos e direitos trabalhistas a pouco mais de 2% — números modestos, mas que desenham o eleitorado que ela efetivamente alcança: professor, sindicalizado, mãe de escola pública, fiel de terreiro e de igreja. O contraste com o campo bolsonarista é o que importa para a disputa: enquanto Jordy constrói a candidatura sobre segurança pública, antipetismo e pauta moral conservadora, Benedita ocupa o terreno da espiritualidade e da cultura, e é justamente aí que ela pode surfar a onda que o Rio vive — a de um debate público em que a religião de matriz africana, a intolerância religiosa e a defesa da liberdade de crença ganharam centralidade depois dos episódios de ataque a terreiros e da reação das bancadas evangélicas no Congresso. O problema é que esse mesmo movimento a prende ao eleitorado que já é dela: a pauta racial, que deveria ser a sua arma para morder o centro e a periferia não petista, aparece com peso residual, e a violência contra a mulher, com o feminicídio e a proteção às mulheres, mal supera 1% do engajamento — território onde Monica Benicio, do PSOL, tem mais espaço para crescer à sua esquerda. Para o jogo das duas vagas, a leitura é clara: Benedita consolida a base lulista e evangélica progressista, mas deixa descoberto o eleitor de centro e o jovem periférico que não se reconhece nem no petismo nem no bolsonarismo, e é exatamente esse eleitor que Pedro Paulo, do PSD, e a própria Monica Benicio vão disputar. Se ela quiser subir, precisa transformar a fé em ponte — não em gueto — e trazer a pauta racial e a violência de gênero do rodapé para o centro da campanha, porque é ali que estão os votos que a elegem e que hoje ela não está buscando.

20 · Benedita da Silva: emoções × enquadramentos do seu discurso

OrgulhoEsperançaAlegriaIndignaçãoDesprezo
Prova material / entrega37426263031105134045
Incompetência estatal1009226388251042109
Direitos e liberdades14490175002489350259
Conflito povo vs. elite960293641203137804025
Corrupção moral13371170108175645119
Defesa da ordem660152316054041195
Oportunidade econômica90889433239125311
Guerra cultural53193719923107066438
Desigualdade estrutural269743761365307123
Ameaça à democracia440713378538790
Violência de gênero94218141034633119
Crise/emergência climática12563216211194567
Justiça territorial3688449452513833
Crise concreta9148420245596
Abandono do Estado392108362487284
Métodos de contenção/mitigação6631626992564
Desastre natural44222373442
Conflito nacional vs. global10301048821276164
Soberania ameaçada1370954331252217
Desordem social709731730184
TristezaRaivaMedoSurpresaNojo
Prova material / entrega26259141
Incompetência estatal7351970106015336
Direitos e liberdades2351322661312
Conflito povo vs. elite9733454165066
Corrupção moral652551182271202
Defesa da ordem2225815802982
Oportunidade econômica1961529
Guerra cultural1092917398114230
Desigualdade estrutural4262321881713
Ameaça à democracia76184112418827
Violência de gênero97942458833124
Crise/emergência climática24975555462
Justiça territorial9561926
Crise concreta5151438319414
Abandono do Estado6522693531018
Métodos de contenção/mitigação4410992
Desastre natural83617415944
Conflito nacional vs. global3584135157
Soberania ameaçada12108268117
Desordem social1123737033460

A campanha de Benedita da Silva fala a língua da entrega e do conflito, e é essa combinação que move sua militância: o orgulho associado ao enquadramento de conflito entre povo e elite responde por cerca de 51 mil interações, a maior fatia isolada do seu discurso, seguido pela esperança com prova material de entrega, com pouco mais de 20 mil.

Vale dizer: os enquadramentos específicos são os assuntos concretos que o texto mobiliza, e as emoções são o tom com que o faz. No caso de Benedita, o par orgulho mais conflito povo versus elite concentra quase um terço de todo o engajamento do recorte, e a leitura é direta: a senadora não pede voto pela gestão, pede pela identidade de quem sempre esteve do lado certo da trincheira. A prova material de entrega, sozinha, rende menos da metade disso, e quando aparece, vem embalada em esperança ou alegria, nunca em indignação. É um discurso de afirmação, não de denúncia. A indignação existe, mas é periférica: desigualdade estrutural, racismo, violência de gênero e abandono do estado somam frações bem menores, e é justamente aí que mora o risco. Enquanto Jordy, no campo bolsonarista, tende a transformar cada pauta em guerra cultural e ameaça à família, Benedita aposta na memória de luta e na vitrine de entregas. Para a disputa pelas duas vagas do Rio, o dado sugere que sua base responde melhor quando ela é apresentada como símbolo de resistência do que como gestora. O caminho para crescer entre eleitores de centro e entre os que hoje orbitam Monica Benicio, do PSOL, ou Pedro Paulo, do PSD, não é diluir esse orgulho, mas acoplá-lo a uma prova material que fale de segurança, transporte e custo de vida, temas em que a indignação alheia ainda não encontrou nela uma voz. Quem tira voto de Benedita à esquerda não é Jordy: é a ausência dela nas pautas de violência urbana e de emergência cotidiana, onde o eleitor fluminense decide o voto.

21 · Benedita da Silva: fundações morais (MFT) que aciona
21 · Benedita da Silva: fundações morais (MFT) que aciona

A Benedita da Silva fala a língua do cuidado e da igualdade, e é essa gramática moral que sustenta o engajamento de sua campanha ao Senado pelo Rio. No perfil das fundações morais da Teoria das Fundações Morais (MFT, o conjunto de intuições morais que o discurso aciona), o cuidado com quem sofre responde por cerca de 53% de todo o engajamento que a candidata mobiliza, e a igualdade por outros 46% — juntas, as duas fundações igualitárias concentram praticamente a totalidade da exposição conquistada por seus conteúdos, com o polo virtuoso de cada uma dominando de forma esmagadora sobre o polo da violação. Lealdade aparece em terceiro, com cerca de 21%, e liberdade ante opressão com 2%; pureza e degradação é residual. Traduzido para a disputa: Benedita não está competindo no terreno da força nem no do combate, e sim no da proteção dos vulneráveis e da reparação das desigualdades — o que dialoga diretamente com o eleitorado de esquerda e de centro que ela precisa consolidar contra Monica Benicio (PSOL), que disputa a mesma fibra moral igualitária, e contra Pedro Paulo (PSD), que ocupa o centro do grupo de Eduardo Paes. A ausência quase completa do polo negativo — a violação do cuidado, da igualdade, da lealdade — revela uma campanha que prefere afirmar valores a acusar adversários, e é aí que mora tanto sua força quanto seu risco: no jogo das duas vagas, esse registro a protege de desgaste, mas não constrói a rejeição a Carlos Jordy, que precisa ser batido por outro caminho. Para Jordy, a leitura é espelhada: se a MFT mostra que Benedita engaja com cuidado e igualdade, o campo bolsonarista só a alcança mobilizando lealdade ao grupo e liberdade contra a opressão do Estado — e é exatamente esse o vocabulário que o PL já domina.

22 · Benedita da Silva: valores (Schwartz)
22 · Benedita da Silva: valores (Schwartz)

BENEDITA FALA A LÍNGUA DO CUIDADO — E ISSO A DEIXA SOZINHA NO CAMPO ONDE PRECISA CRESCER

O quadrante de valores de Schwartz, que mede as orientações de valor que o discurso aciona — abertura à mudança, conservação, autotranscendência e autopromoção —, mostra Benedita da Silva com uma concentração quase absoluta na autotranscendência, a orientação que põe o outro, o coletivo e o bem comum acima do interesse próprio: ela responde por mais de 99% do engajamento total de 130.721 interações no mês, contra 0,6% da abertura à mudança, 0,1% da conservação e uma fração residual da autopromoção. Traduzido para a disputa do Rio, isso significa que a campanha de Benedita ao Senado está falando, com rara coerência, a linguagem da proteção social, da igualdade e do cuidado — exatamente o vocabulário que a base lulista reconhece e que a torna imbatível naquilo que já é seu. O problema é o outro lado da moeda: uma candidata que mobiliza 99% do seu engajamento em autotranscendência não está disputando o eleitor que decide. Não há conservação — família, ordem, tradição, segurança —, não há abertura à mudança — novidade, ousadia, futuro —, não há autopromoção — competência, força, realização. E é justamente aí que mora a eleição: no eleitor de centro e de direita moderada do Rio que não vota por gratidão histórica, mas por medo e por interesse. Enquanto isso, Carlos Jordy e a dupla do PL, Portinho incluído, falam fluentemente a conservação e a autopromoção — ordem, hierarquia, mérito, combate —, e é esse o terreno em que a direita constrói a maioria. A leitura estratégica é direta: Benedita não precisa abandonar a autotranscendência, que é sua assinatura e sua força; precisa abrir uma fresta para a conservação no discurso da segurança pública e da família trabalhadora fluminense, e para a autopromoção naquilo que ela entregou — e entregou muito. Sem isso, ela fala para os convertidos, e a eleição do Rio se ganha com quem ainda não está convertido.

23 · Benedita da Silva: engajamento político que convoca
23 · Benedita da Silva: engajamento político que convoca

Benedita da Silva não pede voto: convoca — e a convocação, no seu perfil, é quase toda eleitoral.

O gráfico mede o engajamento que cada tipo de convocação política recebeu nas publicações do perfil de Benedita da Silva ao longo do mês, e o resultado é de uma clareza quase brutal: o engajamento eleitoral responde por cerca de 80% de tudo o que o perfil mobilizou, contra aproximadamente 20% do engajamento digital — aquele que chama à ação nas próprias redes, ao compartilhamento, à mobilização de base — e fatias residuais, de menos de 1% cada, para as convocações cívica, institucional e de protesto. Traduzido para a disputa do Senado no Rio: a máquina de Benedita está calibrada para a eleição, e só para a eleição. É uma força e é um limite. A força é que, num estado onde a esquerda precisa reeleger uma senadora e onde o campo lulista joga com Eduardo Paes no governo e Lula na Presidência, o perfil não dispersa energia em causas laterais — cada engajamento arrancado vale como voto potencial, e a concentração em Eleitoral sugere uma militância que responde ao pedido direto, não ao comentário genérico. O limite é que os 20% digitais e a quase ausência de convocação cívica e de protesto revelam um perfil que fala para dentro do próprio campo: quem já é de Benedita engaja; quem ainda não é não encontra ali uma causa que o convoque por outro caminho. Para Jordy, isso é um espelho invertido e uma oportunidade: o bolsonarista constrói a candidatura pela antipolítica e pela pauta de segurança e costumes, e um adversário que só convoca eleitoralmente deixa livre o terreno da indignação e da denúncia — exatamente onde a direita fluminense recruta. Para Benedita, a leitura é de eficiência, não de desempenho: o gráfico não mede votos, mede o que o perfil consegue arrancar de quem já o segue, e nisso ela é competente; mas se Crivella e Waguinho disputam o mesmo eleitor evangélico e popular, e Monica Benicio e Pedro Paulo pressionam pela esquerda e pelo centro, a campanha precisa decidir se mantém a convocação eleitoral pura ou se abre espaço para as causas — o protesto, o cívico, o digital — que transformam simpatizante em cabo eleitoral.

24 · Benedita da Silva: publicações mais engajadas

Ordenadas por interações no recorte do quadro.
#PublicaçãoInterações ▾Alcance
1 Sou Benedita da Silva! Mulher de fé, de luta e de muita coragem! Sei de onde vim e por quem luto. Minha caminhada começou e sempre teve um lado: o lado de quem mais precisa. Para senadora do Rio, conto com seu voto: Benedita 131! Vote @lulaoficial Presidente 13 @eduardopaes GoverBenedita da Silva 1️⃣3️⃣1️⃣✊🏿🇧🇷 · Político · Instagram · 2026-09-04Religião, espiritualidade e vida pública · Positivo · Orgulho 52.765 0
2 BE-NE-DI-TA! Olha nosso jingle aí, meu povo! Sou do povo, sou da Silva! Agradeço meu querido amigo @neguinhodabeijafloroficial puxando nosso bonde! Mais uma vez comigo nessa parceria de longa data. Canta comigo! Mande para todo mundo! Bora pra rua com muita energia e muitoBenedita da Silva 1️⃣3️⃣1️⃣✊🏿🇧🇷 · Político · Instagram · 2026-09-04outros · Positivo · Alegria · Orgulho 36.739 1.044.699
3 RT @LulaOficial: O fim da escala 6 x 1 é uma urgência para o Brasil. Todo trabalhador e toda trabalhadora merece ter tempo para estar com a…Benedita da Silva 1️⃣3️⃣1️⃣ · Político · Twitter/X · 2026-09-02outros · Positivo 21.919 199.248
4 RT @LulaOficial: Em 2027, vamos fazer o Pé-de-Meia para Todos! Vamos garantir que todos os alunos de Ensino Médio da rede pública tenham…Benedita da Silva 1️⃣3️⃣1️⃣ · Político · Twitter/X · 2026-09-08Educação, escola pública, creches e juventude · Positivo · Esperança 14.630 146.192
5 A bondade de Deus é imensa! Ele sabe de todas as coisas! 🙏🏿Benedita da Silva 1️⃣3️⃣1️⃣✊🏿🇧🇷 · Político · Instagram · 2026-09-09outros · Positivo 12.563 64.583
6 RT @LulaOficial: Logo mais, às 20h30, farei um pronunciamento à nação. O 7 de Setembro é uma data para reafirmarmos a nossa soberania e ce…Benedita da Silva 1️⃣3️⃣1️⃣ · Político · Twitter/X · 2026-09-06outros · Nao aplicavel 11.159 57.264
7 O Rio precisa de união, diálogo e trabalho para voltar a dar certo. Tenho lado e tenho convicção! Unir não é fingir que todo mundo pensa igual. É colocar o povo acima das diferenças e cuidar do que importa: emprego, saúde, segurança e dignidade. Com o time do Lula, vamos reconBenedita da Silva 1️⃣3️⃣1️⃣✊🏿🇧🇷 · Político · Instagram · 2026-09-04Ex-ministros e ex-ministras de Estado · Positivo · Esperança 9.597 0
8 RT @LulaOficial: As bets não podem comprometer o dinheiro que deveria estar nas mãos das famílias brasileiras. Por isso, o Governo Federal…Benedita da Silva 1️⃣3️⃣1️⃣ · Político · Twitter/X · 2026-09-02Golpes digitais, bets, jogos online e economia de atenção · Positivo 7.811 104.067

A campanha de Benedita da Silva ao Senado pelo Rio já encontrou seu motor: a fé, o pertencimento popular e a carona no palanque de Lula, não a agenda legislativa. A evidência está no topo do engajamento do mês. A publicação mais engajada do recorte — 52.765 interações — é a própria candidata se apresentando em primeira pessoa, no Instagram, sob o tema Religião, espiritualidade e vida pública, com sentimento positivo e emoção de orgulho: "Sou Benedita da Silva! Mulher de fé, de luta e de muita coragem! Sei de onde vim e por quem luto." É a biografia transformada em voto. Logo atrás, com 36.739 interações e 1.044.699 de alcance, o jingle "BE-NE-DI-TA! Sou do povo, sou da Silva!", puxado por Neguinho da Beija-Flor — o alcance de um milhão de pessoas num único post de campanha diz mais sobre a estratégia do que qualquer discurso: Benedita não está disputando o Senado pela via do debate, está disputando pela via da cultura popular e do samba, território em que o campo lulista fluminense é hegemônico. As três publicações seguintes mais engajadas são compartilhamentos de Lula — o fim da escala 6x1 (21.919 interações), o Pé-de-Meia para Todos (14.630) e o pronunciamento de 7 de Setembro (11.159) —, ou seja, a candidata aparece no topo do engajamento sobretudo como caixa de ressonância do presidente, não como voz própria sobre o Rio. A quinta posição, uma frase devocional ("A bondade de Deus é imensa!", 12.563 interações), e a sétima, sobre a necessidade de união no Rio (9.597), completam o quadro: o que mobiliza a base de Benedita é a mistura de testemunho religioso, identidade popular e lealdade ao governo federal.

Para a disputa contra Carlos Jordy (PL), isso é uma faca de dois gumes. De um lado, Benedita tem um ativo que Jordy não tem: alcance orgânico de massa em conteúdo afetivo e cultural, capaz de falar com o eleitor de baixa renda e com o eleitor evangélico sem soar como política — o que, num estado onde o voto religioso é disputado palmo a palmo, é vantagem real. De outro, o gráfico escancara a lacuna: nenhuma das publicações mais engajadas trata de segurança pública, mobilidade, saúde ou custo de vida no Rio — os temas que, no debate fluminense, costumam decidir eleição. Benedita fala de si, de Deus e de Lula; não fala do Rio. A oportunidade está aí, e é dupla: converter o capital afetivo já acumulado em pauta concreta — segurança, emprego, o trabalhador fluminense — antes que Jordy, que tem na máquina bolsonarista o palanque do governo do estado e o discurso da ordem, ocupe esse espaço primeiro. E há ainda o alerta que o gráfico deixa para o campo da esquerda: Monica Benicio (PSOL) e Pedro Paulo (PSD) não aparecem nesse tipo de mobilização afetiva, mas também não enfrentam Benedita no terreno em que ela é imbatível — a identificação popular. Se a campanha de Benedita não traduzir o milhão de alcance do jingle em voto nas áreas onde o PT precisa crescer, o engajamento vira só festa; se traduzir, a vaga do Senado pelo Rio começa a ter dona.

25 · Campo da direita: posicionamento e tom de cada candidato do campo (Jordy, Portinho, Crivella, Waguinho, Marcos Dias e outros)
25 · Campo da direita: posicionamento e tom de cada candidato do campo (Jordy, Portinho, Crivella, Waguinho, Marcos Dias e outros)

Carlos Jordy é o único candidato do campo da direita no Rio cuja exposição no debate, medida por engajamento, é majoritariamente negativa — e isso, num mês de pré-campanha, é ao mesmo tempo o seu maior risco e a sua mais clara oportunidade de reposicionamento.

O gráfico cruza quem publica (os perfis de Jordy, de Carlos Portinho em duas páginas e de Marcos Dias) com o sentimento do texto, medindo o engajamento total, que é a soma de curtidas, comentários e compartilhamentos e funciona como medida de exposição: quanto maior, mais o conteúdo circulou. A evidência é escancarada. No perfil de Jordy, o tom negativo responde por cerca de dois terços do engajamento que ele mobiliza, contra pouco mais de um terço de tom positivo — ou seja, o que mais roda em torno do nome dele é conteúdo de ataque, e não de promoção. Portinho, por contraste, tem perfil invertido: na sua página de candidato ao Senado, o positivo domina com folga sobre o negativo, e é justamente essa página que concentra a maior fatia do engajamento dele; a segunda página, de tom mais institucional, aparece com saldo negativo. Marcos Dias é quase todo positivo, com resíduo negativo marginal. Traduzido para a disputa: Jordy hoje é o candidato da direita que o debate prefere atacar, enquanto Portinho, seu companheiro de chapa do PL, colhe engajamento de apoio — e, como o Rio elege duas vagas ao Senado, essa assimetria não é detalhe: dois candidatos do mesmo partido competindo pela mesma bolha bolsonarista tendem a se canibalizar, e o gráfico sugere que a canibalização já está em curso, com o eleitor de direita reagindo a Jordy pelo negativo e a Portinho pelo positivo. Para Jordy, a leitura de campanha é direta: o volume de exposição negativa não se combate com silêncio, e sim convertendo o ataque em pauta própria — assumir o enfrentamento como marca, ancorar o discurso em temas de segurança e custo de vida, onde a indignação vira adesão em vez de rejeição, e deslocar o eixo do "contra Jordy" para o "com Jordy". Para Benedita da Silva, que não aparece neste recorte, o dado é um presente estratégico: enquanto a direita gasta energia na briga interna entre Jordy e Portinho, sobra à esquerda o espaço de falar de positivo sem concorrência — e é aí que a campanha dela deve plantar a própria narrativa, antes que o campo adversário resolva a disputa fratricida.

26 · Campo da esquerda e do centro: posicionamento e tom de cada candidato do campo (Benedita, Monica Benicio, Pedro Paulo e outros)
26 · Campo da esquerda e do centro: posicionamento e tom de cada candidato do campo (Benedita, Monica Benicio, Pedro Paulo e outros)

Monica Benicio é a única voz do campo da esquerda e do centro no Rio que converte rejeição em exposição: 68% do engajamento total que ela mobiliza no período carrega tom negativo, contra 32% de tom positivo — e é essa proporção que a coloca, sozinha, acima de Benedita da Silva, Pedro Paulo e qualquer outro nome do campo somados.

Vale dizer o que isso significa na prática. O engajamento mede exposição — curtidas, comentários e compartilhamentos somados —, e Monica Benicio acumula 551.403 interações em publicações de valência negativa contra 255.070 positivas. Benedita da Silva, por sua vez, tem perfil oposto: 134.085 interações positivas na conta principal e 54.194 na secundária, com o negativo residual (2.110 e 2.026) praticamente zerado. Pedro Paulo é o mais discreto dos três: 58.168 interações positivas e 1.999 negativas. Traduzindo: Benedita é amada por quem a segue e ignorada por quem a ataca; Monica Benicio é atacada e isso a alimenta. Na disputa pela segunda vaga ao Senado — a que sobra depois do favorito bolsonarista —, essa assimetria importa. Monica ocupa o espaço da esquerda radical com uma intensidade que Benedita não reproduz, e Pedro Paulo, herdeiro do eleitorado de centro ligado a Eduardo Paes, aparece como o nome que menos barulho faz e, portanto, o que mais depende de transferência de voto. Para Benedita, o dado sugere que sua campanha precisa de um adversário — alguém que a ataque para que o contra-ataque mobilize sua base. Para Monica, o dado sugere o contrário: ela já tem o adversário, e o desafio é converter indignação em voto, não em engajamento. O campo da esquerda e do centro, hoje, fala em três tons diferentes para três públicos diferentes — e só um deles está sendo ouvido com força.

27 · O que preocupa o Rio: subtemas do debate fluminense (exposição, 30 dias)
27 · O que preocupa o Rio: subtemas do debate fluminense (exposição, 30 dias)

A segurança pública e o cotidiano do território, não a política nacional, são o que de fato move a conversa sobre o Rio: entre os subtemas que citam o estado, a política fluminense, o território e a segurança pública respondem por cerca de 22% da exposição, contra 8% do custo de vida e 5,7% da política nacional — e os crimes violentos, com 3,3%, ficam atrás de racismo e desigualdade racial (4,2%) e de favela, periferia e comunidade (4,1%), enquanto milícia, tráfico e controle territorial somam 2,5% e as operações policiais com letalidade, 0,3%. Traduzido para a disputa ao Senado, isso diz que o eleitor fluminense não está conversando sobre Brasília: está conversando sobre o medo que atravessa a porta de casa, e quem quiser crescer precisa falar essa língua. Para Carlos Jordy (PL), a oportunidade é evidente e ele já tem o sotaque: segurança, milícia e tráfico, favela e periferia e crimes violentos somados passam de 10% da exposição, e é nesse terreno — o do controle armado do território, da extorsão, da narcomilícia — que o campo bolsonarista constrói a narrativa de ordem; o risco é a concorrência interna, porque Carlos Portinho (PL) disputa o mesmo eleitorado e a mesma gramática, e Crivella e Waguinho (Republicanos) podem capturar a fatia evangélica, que aparece com 1,9% em religião e vida pública. Para Benedita da Silva (PT), o mapa é outro e igualmente favorável: racismo e desigualdade racial (4,2%), favela, periferia e comunidade (4,1%), raça, negritude e branquitude (2,2%), moradia, aluguel e saneamento (3,3%) e trabalho com direitos trabalhistas (2,8%) formam um bloco de 15% a 20% da exposição que fala diretamente à sua biografia e ao seu eleitorado histórico — mas ela precisa descer do palanque nacional para o asfalto e o morro, porque a política nacional, onde o PT tem palco, responde por apenas 5,7%. O alerta para os dois é o mesmo: Monica Benicio (PSOL) pode ocupar à esquerda o discurso de favela, raça e direitos com mais frescor e menos desgaste; Pedro Paulo (PSD) pode surfar a agenda de custo de vida e serviços urbanos, que juntos passam de 11%, com a máquina de Eduardo Paes atrás; e, no campo bolsonarista, a fragmentação da dupla do PL com os Republicanos tende a pulverizar o voto de direita. A leitura de fundo é simples: quem tratar o Rio como problema de segurança e de dignidade cotidiana — e não como extensão da briga de Brasília — tende a converter exposição em voto. Vale dizer: o gráfico não mede intenção de voto, mede onde o debate fluminense põe os olhos, e hoje ele os põe no medo do território e na conta que não fecha, não na disputa entre Lula e Bolsonaro. Quem insistir no palanque nacional fala para uma plateia de 5,7%; quem descer ao morro, à milícia e ao aluguel fala para o eleitor que decide a segunda vaga.

28 · Emoções do debate no Rio
28 · Emoções do debate no Rio

Alegria e orgulho, não medo nem raiva, são o combustível emocional do debate que cita o Rio de Janeiro: somadas, as duas emoções respondem por cerca de 62% de todo o engajamento do recorte, contra pouco mais de 20% da indignação e da raiva juntas e menos de 10% de esperança. A evidência é escancarada. Quem fala do Rio, no mês que antecede a campanha, mobiliza exposição sobretudo pelo registro do contentamento e do pertencimento — o orgulho, que mede a afirmação de identidade e de valor do próprio grupo, é a segunda força do painel, praticamente empatado com a alegria. Traduzido para a disputa ao Senado, isso significa que o eleitorado fluminense que se engaja não está sendo convocado pela denúncia nem pelo pavor: está sendo convocado pela celebração. Para Carlos Jordy (PL), a leitura é direta — o campo bolsonarista, que domina a produção de conteúdo de direita no estado, colhe engajamento quando exalta o Rio, a segurança, a família e a "virada" da cidade, e não quando apenas acusa o adversário; a raiva, o desprezo e o nojo, somados, não chegam a 15% do engajamento, o que sugere que a campanha do medo e da repulsa tem teto de exposição bem mais baixo do que a campanha do orgulho. Para Benedita da Silva (PT), o dado é mais duro: a esperança, emoção que a literatura associa à mobilização de base e à esquerda, responde por menos de 10% do engajamento, e a tristeza e o medo, que poderiam ancorar uma narrativa de proteção social e de defesa da democracia, mal aparecem. Ou por outra: o campo lulista no Rio não está conseguindo transformar a sua mensagem histórica — cuidado, igualdade, proteção — em exposição emocional; fica preso a um debate onde o adversário dita o tom festivo. Vale dizer que a esperança, quando aparece, tende a vir de conteúdos de celebração comunitária e de cultura, não de embate institucional, o que indica caminho concreto: Benedita precisa disputar o orgulho e a alegria fluminenses — o samba, a baixada, a cidade que resiste — em vez de apostar apenas na indignação, que já é território saturado pela direita. E há uma oportunidade de dois gumes: a indignação, com mais de um quinto do engajamento, é a única emoção negativa com massa crítica para virar onda — quem conseguir canalizá-la sem parecer raivoso (o que afasta o eleitor de centro) pode capturar o voto de quem hoje se engaja pelo contentamento mas se decepcionar com a gestão. No jogo das duas vagas, com a direita fragmentada entre Jordy, Portinho, Crivella e Waguinho, e a esquerda e o centro divididos entre Benedita, Monica Benicio e Pedro Paulo, o gráfico diz que o eleitor que se engaja emocionalmente com o Rio premia quem celebra e pune quem só denuncia — e é por isso que a briga pela segunda vaga, hoje travada entre Benedita e Pedro Paulo no campo não bolsonarista, tende a se decidir por quem primeiro transformar a indignação difusa em orgulho de pertencimento, sem abandonar a raiva como acusação pontual. Recapitulação rápida: a alegria e o orgulho carregam quase dois terços do engajamento; a indignação, um quinto; a esperança, menos de um décimo. Quem lê esses números com atenção entende que o Rio de 2026 não está com medo — está com vontade de comemorar, e quem não entrar nessa festa com discurso próprio vai apenas assistir à do adversário.

29 · Enquadramentos do debate no Rio
29 · Enquadramentos do debate no Rio

A briga pelo Senado no Rio já não se decide por propostas, e sim por qual narrativa de fracasso cola mais rápido: no debate fluminense do último mês, os enquadramentos de incompetência estatal (507.431 de engajamento) e de guerra cultural (501.293) praticamente empatam na liderança da exposição, seguidos de perto pelo conflito entre povo e elite (474.083), enquanto a prova material de entrega (317.862) e a corrupção moral (289.242) vêm atrás, e o bloco da ordem — defesa da ordem (242.599), desordem social (206.617) e ameaça à democracia (198.477) — fecha o pelotão de cima. Enquadramento, aqui, é o ângulo pelo qual o texto organiza o assunto, e o que esses números dizem é que o eleitor carioca está sendo chamado a julgar o Estado que falha e a trincheira cultural, não a comparar currículos: para Carlos Jordy (PL), isso é terreno pronto, porque incompetência estatal e guerra cultural são exatamente as duas teclas que o campo bolsonarista domina, e ele pode surfá-las sem sair do script; para Benedita da Silva (PT), o caminho é outro — ela precisa puxar o debate para os enquadramentos em que a esquerda tem lastro e o campo adversário tem constrangimento, como direitos e liberdades (166.911), racismo (161.218), abandono do Estado (113.038) e desigualdade estrutural (103.786), todos com exposição relevante, mas nenhum no topo.

A leitura fina é que a violência de gênero (72.995), a emergência humanitária (48.521), a homofobia (37.229) e a justiça territorial (36.579) formam uma faixa média de exposição que interessa diretamente a Benedita e a Monica Benicio (PSOL) — são temas em que a senadora petista tem biografia e a vereadora tem bandeira, e que tiram voto da esquerda se ficarem órfãos; já a cauda — violência doméstica (19.641), misoginia (2.187), ameaça à família (1.887) e feminicídio (1.205) — mostra que o discurso de gênero não está, hoje, entre os assuntos que mais rodam no Rio, o que é uma oportunidade perdida para quem quer deslocar a pauta da segurança para o cuidado. Para Jordy, o risco não está em Benedita, mas nos concorrentes do próprio campo: Carlos Portinho (PL), Marcelo Crivella e Waguinho (Republicanos) disputam o mesmo eleitor de guerra cultural e incompetência estatal, e o enquadramento de corrupção moral (289.242) é a faca de dois gumes que pode tanto ferir o PT quanto respingar em qualquer um que carregue o selo da máquina. Para Benedita, o risco é simétrico e mais cruel: Pedro Paulo (PSD), do grupo de Eduardo Paes, e a própria Monica Benicio (PSOL) mordem o mesmo eleitor de centro e de esquerda que ela precisa consolidar, e nenhum dos dois carrega o desgaste do governo federal que a petista carrega — de modo que cada ponto de exposição que Benedita ganha em direitos e liberdades precisa ser convertido em voto antes que o campo se divida. O que o gráfico entrega, no fim, é o mapa das ondas disponíveis: Jordy surfa a incompetência estatal e a guerra cultural, Benedita precisa criar a onda dos direitos e da desigualdade, e quem não escolher uma dessas cristas vai afundar na cauda — onde feminicídio, misoginia e ameaça à família somam pouco mais de 5 mil de engajamento e não elegem ninguém.

30 · Quem influencia o debate do Rio, por posicionamento
30 · Quem influencia o debate do Rio, por posicionamento

A direita fluminense já tem um dono no debate digital do Rio, e ele não está na lista do Senado: no ranking de quem mais mobiliza engajamento falando do Rio de Janeiro, Marcelo Queiroz, candidato ao governo, lidera com folga (133.911 interações), seguido por Carlos Victor (81.768), Ney Matogrosso (68.715), Douglas Ruas (68.429, somando apoio e oposição) e a anônima Sorcerer (63.766) — enquanto os dois senadores em disputa que o painel persegue, Carlos Jordy e Benedita da Silva, simplesmente não aparecem entre os que puxam a conversa. É um dado que deveria acender luz vermelha em dois comitês: o campo bolsonarista concentra sua energia em nomes do governo do estado, não na corrida ao Senado, e o campo lulista não emplaca nenhum porta-voz entre os que mais expõem o assunto. O gráfico mede exposição (curtidas, comentários e compartilhamentos somados), não prevalência de discurso — e por isso mesmo o que ele revela é onde a audiência está sendo comprada de graça, não quantos perfis distintos defendem cada tese.

A leitura por posicionamento mostra que a oposição — no vocabulário do painel, quem se coloca contra o campo que governa o estado — é quem mais rende engajamento entre os nomes de maior alcance: Carlos Victor, Sorcerer e Douglas Ruas puxam essa fatia, enquanto o apoio se distribui entre Queiroz, Carlos Bolsonaro (48.654) e o próprio Douglas Ruas (68.429), sinal de que o candidato ao governo do PL fala para os dois lados e captura a onda inteira. Fábia Oliveira (54.279) e Espaço Hall (46.869) ocupam o terreno do relato neutro, e Ney Matogrosso (68.715) mostra que a pauta cultural e identitária do Rio tem alcance próprio — território onde Monica Benicio (PSOL) poderia ancorar, mas não ancora. Para Jordy, o recado é direto: seu campo já tem voz, e ela se chama Queiroz; para Benedita, é mais duro — não há, entre os que mais expõem o Rio, ninguém falando por ela, o que sugere que a campanha petista está deixando a conversa sobre o estado nas mãos de outros. Quem quiser crescer terá de entrar nessa onda, não esperar que ela chegue.

31 · O que viraliza no Rio

Ordenadas por interações no recorte do quadro.
#PublicaçãoInterações ▾Alcance
1 Rio de Janeiro, eu amo vocês! ❤️‍🔥❤️‍🔥❤️‍🔥❤️‍🔥 Welcome, 2026! This is how we do it! 🇧🇷🇧🇷Alok · Artista / cultura · Instagram · 2026-09-06outros · Positivo · Alegria · Orgulho 935.119 0
2 Os Ensaios da Anitta 2027 já têm destino! 🎉 De Norte a Sul, o nosso verão vai atravessar o Brasil celebrando diferentes ritmos, encontros e formas de festejar. 🗓️ 01/09, Terça - 12h PRÉ-VENDA EXCLUSIVA para clientes cartão de crédito @mercadopagobr 🗓️ 02/09, Quarta Início dAnitta 🎤 · Artista / cultura · Instagram · 2026-09-04Custo de vida, inflação, consumo e endividamento · Positivo · Alegria 249.576 4.603.662
3 TURNÊ DOS NAMORADOS 04/06 belo horizonte 05/06 rio de janeiro 06/06 recife 07/06 fortaleza 10/06 são paulo pela sétima vez com vermelho e cafonice pra todo lado, quem vai contigo é teu date ou tu vai arrumar lá? bj vai comprar teu ingresso pesteANAVITÓRIA · Artista / cultura · Instagram · 2026-09-06outros · Positivo · Alegria 135.209 0
4 COBRAMOS E AUTORA ESTÁ PRESA ⛓️‼️ A mulher que cometeu os m4us-tr4t0s na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, foi presa em flagrante e vai responder pelo crime. Após ser detida, a autora apresentou alterações comportamentais e sinais de possível surto. Após avaliação psiquiátricMarcelo Queiroz · Político · Instagram · 2026-09-05outros · Positivo · Indignação · Alegria 126.950 2.529.891
5 O Rio de Janeiro quando a defesa civil decide não alertar nada: https://t.co/URYzYzRzxTCarlos Victor🐊 · Influenciador · Twitter/X · 2026-09-01Moradia, aluguel, urbanização, saneamento e serviços urbanos · Negativo · Indignação 81.768 457.816
6 Ney Matogrosso transforma seus 85 anos em uma nova turnê. "85 Anos de Ousadia" estreia em janeiro de 2027, em São Paulo, e segue por cidades como Curitiba, Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. A proposta é revisitar sua trajetória sem transformá-la em despedida, mantendo Ney Ney Matogrosso · Artista / cultura · Instagram · 2026-08-26outros · Positivo 67.121 0
7 Os Estados Unidos vão achar a base do Hamas no Rio de Janeiro a qualquer momento☿𝕾𝖔𝖗𝖈𝖊𝖗𝖊𝖗☿⛧🇵🇸🇨🇺🇦🇱☭RABM♅ · Influenciador · Twitter/X · 2026-08-28Rio de Janeiro — política, território e segurança pública · Negativo · Desprezo 63.766 452.732
8 É uma honra e uma alegria contar com o apoio do nosso próximo presidente do Brasil, @flaviobolsonaro ! Vamos juntos, com muita coragem e trabalho, resgatar o Rio de Janeiro e o Brasil. Vamos nessa onda de transformação, RJ. Chega dessa turma que não ajuda ninguém! É Douglas RuaDouglas Ruas · Político · Instagram · 2026-09-08outros · Positivo · Orgulho · Alegria 52.585 1.375.478
9 O futuro Presidente @flaviobolsonaro trazendo de volta a fé das pessoas e a certeza de que iremos varrer o PT e sua organização do poder no país. Em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, cada vez mais pessoas se juntam, renovando a esperança de devolver ao Brasil a prosperidade, a Carlos Bolsonaro · Político · Instagram · 2026-09-05Escândalos e disputas do ciclo 2026 · Positivo · Esperança · Orgulho 48.654 256.629
10 RIO DE JANEIRO, CHEGAMOS! ❤️ Mais uma vez a cidade maravilhosa recebe o festival mais desejado do Brasil, o @festivaldesejando! Dia 19 de Novembro, véspera de feriado, o @espacohall recebe os shows da dupla mais desejada do Brasil @seudesejo, e de @reyvaqueiro, o nosso Rey dasEspaço Hall · Influenciador · Instagram · 2026-08-26Rio de Janeiro — política, território e segurança pública · Positivo · Alegria 46.869 0

O QUE VIRALIZA NO RIO NÃO É A DISPUTA PELO SENADO — E ESSE É O RECADO

O gráfico é brutal na sua clareza: no mês inteiro, entre as publicações mais engajadas que citam o Rio de Janeiro, nenhuma das dez primeiras posições traz um candidato ao Senado pelo Rio. A liderança é de Alok, com 935.119 interações, seguido de Anitta, com 249.576 interações e 4,6 milhões de alcance, e de Anavitória, com 135.209 — três artistas, três conteúdos de turnê e celebração, três registros de alegria e orgulho. O primeiro político a aparecer é Marcelo Queiroz, na quarta posição, com 126.950 interações, e o que ele vende é a prisão em flagrante da mulher que cometeu os maus-tratos na Barra da Tijuca: indignação e alegria juntas, o enquadramento da segurança pública como resposta rápida e visível. Ou por outra: o que o Rio mais engaja é festa e punição exemplar, não projeto de poder no Senado. E quando a política entra, entra pela porta do campo bolsonarista — Douglas Ruas, candidato ao governo, com 52.585 interações, e Carlos Bolsonaro, com 48.654, ambos puxando Flávio Bolsonaro como "próximo presidente" e prometendo "varrer o PT". Para Jordy, isso é combustível de graça: o sobrenome que domina o engajamento político do recorte é o mesmo campo que o abriga, e o tema que mais mobiliza — segurança, com a prisão da Barra — é exatamente o seu terreno natural. Para Benedita, o gráfico é um alerta: a esquerda não aparece em nenhuma das dez posições, e a única menção ao campo lulista é como alvo a ser varrido. A quinta posição, do influenciador Carlos Victor, com 81.768 interações, ataca a Defesa Civil por não alertar sobre as chuvas — indignação pura, tema de moradia e serviços urbanos, exatamente a pauta em que Benedita tem história e base. A oportunidade está escancarada: ninguém do campo dela está surfando a onda da segurança pública nem a da falha do Estado na chuva, e é aí que se ganha voto no Rio.

32 · Anúncios pagos entregues no Rio: dinheiro, páginas, financiadores e audiências

AnúnciosPáginasFinanciadoresGasto estimadoAtivosEstados alcançados
33.7385.7343.636R$ 4.273.286 – R$ 5.024.40420.37688
Audiência por estado (peso da entrega)
Audiência por estado (peso da entrega)
Audiência por idade × gênero (anúncios)
Audiência por idade × gênero (anúncios)
Faixas de gasto (R$)
Faixas de gasto (R$)
Audiência estimada por faixa
Audiência estimada por faixa
FinanciadorAnúnciosGasto estimado
(sem financiador declarado)8.699R$ 834.948 – R$ 982.903
Partido da Social Democracia Brasileira400R$ 66.052 – R$ 85.684
CNPJ 68.438.235/0001-01 ELEIÇÃO 2026 BRUNO SCHEID SENADOR354R$ 42.800 – R$ 46.661
Eduardo Riedel296R$ 31.500 – R$ 33.183
Bruno Bolsonaro Scheid293R$ 30.800 – R$ 32.483
Luciana Gatti - Dep. Federal 5077239R$ 24.200 – R$ 25.982
ELEIÇÃO 2026 CRISTINA REIS GRAEML SENADOR188R$ 23.315 – R$ 25.109
ELEIÇÃO 2026 LEILA GOMES DE BARROS REGO SENADOR171R$ 18.001 – R$ 18.694
ELEIÇÃO 2026 LUÍS EDUARDO DE SOUZA LELIS DEPUTADO FEDERAL - CNPJ 68.545.376/0001-15167R$ 17.100 – R$ 17.595
ELEIÇÃO 2026 DANIEL RICARDO SORANZ PINTO DEPUTADO FEDERAL | CNPJ: 68.441.881/0001-10158R$ 16.800 – R$ 21.057
ELEIÇÃO 2026 TATIANE COSTA DOS SANTOS DEPUTADO FEDERAL152R$ 16.411 – R$ 16.907
ELEIÇÃO 2026 DAVID ANTÔNIO ABISAI PEREIRA DE ALMEIDA GOVERNADOR - 68.345.414/0001-96 - AVANTE - PRA CIMA AMAZONAS (PDT / DC / AGIR / AVANTE / FEDERAÇÃO RENOVAÇÃO SOLIDÁRIA(25-PRD/77-SOLIDARIEDADE)152R$ 15.600 – R$ 18.867

O dinheiro da campanha no Rio já está sendo gasto para comprar atenção antes de comprar voto, e o alvo dessa compra é a faixa que decide eleição de segundo turno: o eleitor de meia-idade, alcançado sobretudo por vídeo em rede social, não por jornal, rádio ou porta de igreja. É o que este gráfico de anúncios políticos da Meta entregues no Rio de Janeiro mostra: o investimento pago não se distribui pela cidade nem pelas idades de maneira neutra — ele se concentra onde a conversão é mais barata e o voto é mais volátil. Para Jordy e Benedita, isso significa que a disputa pela segunda vaga do Senado fluminense não começa no palanque nem no horário eleitoral, mas no leilão de impressões, e quem não estiver comprando audiência nesse mercado está deixando o adversário falar sozinho com o eleitor que ainda não decidiu.

A leitura política é direta: anúncio pago é a única forma de comunicação em que o candidato escolhe exatamente quem ouve, quanto paga e quantas vezes repete — e por isso ele revela a estratégia real, não a declarada. Um campo que concentra gasto em vídeo vertical para homens e mulheres de meia-idade está dizendo, sem dizer, que aposta em volume de exposição e em repetição de mensagem simples, o que favorece discurso de confronto e de nome conhecido; um campo que pulveriza entre faixas e plataformas está tentando ampliar reconhecimento, o que é a tarefa típica de quem precisa se apresentar a um eleitorado que ainda não o associa ao cargo. Traduzindo para a lista do TSE: Jordy, Portinho, Crivella e Waguinho disputam o mesmo eleitor de direita e tendem a se atropelar no mesmo espaço pago, enquanto Benedita, Monica Benicio e Pedro Paulo competem por um eleitorado de esquerda e centro que se sobrepõe menos — mas onde o PSD de Pedro Paulo tem estrutura de máquina e o PSOL de Monica tem apelo de nicho que não se compra com impulsionamento. A oportunidade concreta para Jordy é ocupar, no anúncio, o tema que o eleitor de direita já consome espontaneamente — segurança pública e custo de vida — com uma frase única e repetida até virar bordão; para Benedita, é usar o alcance pago para converter reconhecimento histórico em voto útil de centro, falando de serviços e de proteção social em linguagem de resultado, não de bandeira. E há a armadilha simétrica: quem gasta para parecer maior do que é atrai para si o contra-ataque pago do adversário, e no Rio, com duas vagas em jogo, o gasto que não diferencia o candidato apenas engorda o bolo de quem já é conhecido.

33 · Quem anuncia no Rio sobre a disputa ao Senado (páginas, nº de anúncios)
33 · Quem anuncia no Rio sobre a disputa ao Senado (páginas, nº de anúncios)

O dinheiro da campanha ao Senado no Rio já tem endereço, e ele não é o de Carlos Jordy nem o de Benedita da Silva: quem mais anuncia no estado são Igo Menezes e Pedro Paulo, com Daniel Soranz logo atrás, e essa geografia publicitária diz menos sobre intenção de voto do que sobre quem está construindo nome antes de a campanha começar de fato. Os números são anúncios veiculados por página no Rio de Janeiro, e a leitura correta é de investimento e alvo, não de desempenho: Igo Menezes lidera com 25 anúncios, Pedro Paulo vem com 24, Daniel Soranz com 18, e só então aparece Renan Jordy, com 11, seguido de Mônica Benício, com 9, e de Ninno Rodrigues, com 8. Traduzindo em proporções: os três primeiros concentram cerca de 40% de tudo o que se anuncia no recorte, enquanto Jordy e Benedita, juntos, respondem por uma fatia menor que a de Pedro Paulo e Soranz somados. O dado é eloquente porque Pedro Paulo é candidato ao Senado pelo PSD, do grupo de Eduardo Paes, e Soranz é o nome da saúde municipal que o paesismo projeta — os dois compram espaço no Rio na mesma proporção em que a máquina municipal respira, e é exatamente esse o campo de centro que ameaça Benedita por dentro do espectro não bolsonarista, não à direita dela. Do outro lado, a direita bolsonarista aparece fragmentada no balcão de anúncios: Jordy tem presença, mas Portinho, Crivella e Waguinho quase não figuram, o que sugere que a dupla do PL ainda não resolveu qual dos dois será o rosto da chapa e que os Republicanos, com dois pré-candidatos aguardando julgamento no TSE, não estão pagando para se diferenciar. Para Jordy, a lição é de estilo e de discurso: ele anuncia, mas anuncia pouco diante de quem tem máquina, e o caminho é converter a militância bolsonarista em volume de rua e de rede, não em impulsionamento — porque na direita quem tira voto dele é Portinho, e a disputa interna se ganha com base fiel, não com verba. Para Benedita, o alerta é o inverso: o centro paesista está comprando atenção no Rio com folga, e a resposta petista não é competir em anúncio, é ocupar a agenda de direitos e de território que a candidata já encarna, transformando a vantagem de reconhecimento popular em presença de rua. Vale dizer: o gráfico não mede quem vai ganhar, mede quem está pagando para ser lembrado — e, por ora, quem paga mais é quem ainda precisa se apresentar ao eleitor.

34 · Quem paga os anúncios sobre a disputa ao Senado (financiadores, nº de anúncios)
34 · Quem paga os anúncios sobre a disputa ao Senado (financiadores, nº de anúncios)

O dinheiro da campanha ao Senado no Rio já tem dono declarado, e ele não é nem Jordy nem Benedita: quem mais anuncia na Meta para o eleitor fluminense são os próprios candidatos a deputado, que usam a onda do Senado para se promover — e é esse o dado que reorganiza a leitura da disputa.

No recorte de um mês, entre os financiadores que pagam anúncios veiculados no Rio de Janeiro, a fatia mais robusta é de Igo Menezes, com 25 anúncios, seguido de perto pelo comitê "Eleição 2026 Pedro Paulo Carvalho Teixeira Senador", com 24 — ou seja, o candidato do PSD, do grupo de Eduardo Paes, é o único senadorista da lista do TSE que aparece no topo do investimento pago, e aparece quase empatado com um nome que não é candidato ao Senado. Logo atrás vêm dois financiadores de deputado federal, Daniel Soranz (18) e Carlos Renan Leal de Mattos, este último candidato a deputado estadual (9), o que confirma o padrão: a maior parte do gasto não é de quem disputa a vaga majoritária, e sim de quem tenta pegar carona na visibilidade dela. Entre os senadores da lista oficial, além de Pedro Paulo, só aparecem Mônica Benício (6), Benedita da Silva (6) e Carlos Jordy (3) — e aqui está o ponto político: Benedita e Mônica Benício, ambas do campo da esquerda, investem o dobro do que investe Jordy, enquanto o bolsonarista, que deveria ser o nome mais competitivo da direita, some no meio da cauda, atrás até de financiadores de deputado estadual. Vale dizer: no campo da direita, nem Portinho, nem Crivella, nem Waguinho, nem Marcos Dias, nem Helio Secco, nem Luciano Mattos aparecem como financiadores relevantes neste recorte — a direita fluminense não está comprando espaço no feed do eleitor do Rio na mesma proporção em que a esquerda e o centro estão. A leitura é direta: se Jordy quer crescer, o gargalo não é discurso, é máquina de mídia paga; se Benedita quer crescer, o problema é outro — ela já investe, mas divide o campo com Mônica Benício, que disputa o mesmo eleitorado e aparece com o mesmo volume, o que fragmenta a mensagem da esquerda em vez de concentrá-la. E o dado que mais incomoda os dois: o dinheiro que deveria estar na disputa ao Senado está sendo gasto por candidatos a deputado, o que significa que a eleição majoritária do Rio está sendo tratada, pelos próprios financiadores, como palanque para outras candidaturas.

35 · Tom dos anúncios de cada financiador (sentimento, % dos anúncios)
35 · Tom dos anúncios de cada financiador (sentimento, % dos anúncios)

O otimismo publicitário é a regra quase absoluta da propaganda de campanha no Rio, e quem aposta no tom negativo ainda não encontrou o seu lugar nessa disputa. A evidência é escancarada: no recorte de anúncios veiculados no Rio de Janeiro, praticamente todos os financiadores que aparecem com mais de um anúncio têm a totalidade ou a quase totalidade das suas peças em tom positivo — Igo Menezes, Pedro Paulo, Daniel Soranz, Ninno Rodrigues, Luigi Ângelo, Guilherme Schleder, Maria Laura, Luciana Boiteux, Cleibe Mange, Anielle Francisco, Benedita da Silva, Mônica Benício, Alana Passos, Jair Mendes, Wagner Carneiro, Alexis Grego, Fabiana Silva, Salvino Barbosa e Carlos Jordy Coelho de Mattos figuram todos com 100% de anúncios positivos. Ou por outra: o tom negativo é exceção cirúrgica, não estratégia — aparece em Carlos Renan Leal de Mattos (a maioria dos seus anúncios em negativo), em Leonardo Rodrigues, em Cristina Graeml, em Zarabatana Estúdios, na Fundação S.O.S. Pró-Mata Atlântica, em Aécio Neves, em Vinícius Crânio e em Carlos Alberto Dias Viana, cada um com pouquíssimas peças. Vale dizer: a negatividade não é o motor da propaganda fluminense ao Senado; é ruído de cauda.

Para a disputa entre Jordy e Benedita, o dado é revelador por omissão: os dois aparecem com anúncios positivos, sem nenhuma peça negativa no recorte — o que sugere que ambos ainda estão na fase de apresentação e associação de imagem, não de confronto direto. A diferença está no volume relativo de cada um dentro do bolo publicitário: Benedita da Silva tem presença modesta, enquanto o campo à direita se dispersa entre muitos financiadores — Pedro Paulo, Soranz, Ninno, Schleder, Jordy, Wagner Carneiro, Marcos Dias, Cristina Graeml —, o que indica pulverização de recursos e ausência de um comando único de comunicação. A leitura política é direta: enquanto a esquerda concentra pouco e a direita se fragmenta, o eleitor fluminense recebe um bombardeio de mensagens positivas genéricas, sem confronto, sem diferenciação e sem custo de escolha — terreno em que a notoriedade prévia de Benedita e a máquina do PL de Jordy tendem a decidir mais do que qualquer anúncio. Quem não está surfando essa onda é justamente quem poderia: os candidatos do Republicanos (Crivella e Waguinho) e do Podemos (Marcos Dias), que não aparecem com financiadores próprios no recorte, deixam o espaço publicitário livre para os dois favoritos.

36 · Temas dos anúncios sobre a disputa, por financiador
36 · Temas dos anúncios sobre a disputa, por financiador

A verba paga no Rio de Janeiro para falar da disputa ao Senado não está majoritariamente a serviço de quem a lista do TSE aponta como favoritos: o dinheiro que circula nos anúncios fluminenses se concentra em nomes de deputado federal e estadual, e os dois senadores mais citados no recorte — Pedro Paulo e Mônica Benício — aparecem como financiadores de propaganda própria, não como alvos de terceiros. A evidência é escancarada quando se olha a composição: entre os financiadores que veiculam no estado, a fatia dominante é de candidaturas proporcionais, e o senador Pedro Paulo Carvalho Teixeira é o único nome ao Senado que sustenta um bloco publicitário relevante, com quase um quarto de seus anúncios voltados a temas genéricos e o restante pulverizado em juventude e escola, enquanto Mônica Benício divide sua entrega entre segurança, tráfico e feminismo. Jordy e Benedita, os dois polos que este painel persegue, praticamente não aparecem como financiadores de anúncios no Rio: o senador do PL surge com um punhado de anúncios e a petista com ainda menos, ambos quase inteiramente em pauta difusa. Ou por outra: quem está comprando atenção no estado são as campanhas proporcionais, e o campo bolsonarista que deveria empurrar Jordy não está pagando para isso.

Vale dizer o que esse desenho sugere sobre a disputa. O subtema mais recorrente entre os financiadores é um guarda-chuva difuso de assuntos gerais, e quando um anunciante escolhe um tema concreto, a preferência recai sobre saúde pública, sistema único de saúde e filas — a dor mais palpável do eleitor fluminense —, seguida de favela, periferia e comunidade, e de tráfico, facções e sistema prisional. É aí que se vê o jogo das duas vagas: Pedro Paulo, do grupo de Eduardo Paes, ocupa o centro com publicidade ampla e sem bandeira ideológica definida, o que lhe permite crescer tanto sobre eleitor de Benedita quanto sobre eleitor de direita desencantado; Mônica Benício, do PSOL, tenta disputar com Benedita o eleitorado de esquerda pela via dos direitos das mulheres e da segurança, tema em que a esquerda costuma ser acusada de fraqueza. Do outro lado, a ausência de investimento publicitário de Jordy e do campo bolsonarista no Rio é o dado mais eloquente: enquanto a máquina proporcional do PL e dos Republicanos compra espaço para deputados, a candidatura ao Senado que deveria capitalizar a onda de segurança e antipetismo fica sem lastro pago, dependendo de alcance orgânico. Nesse vácuo, quem se posiciona é o centro — e é isso que a distribuição dos temas, mais do que qualquer número, revela sobre quem está jogando para ganhar no Rio.

37 · Para quem os anúncios da disputa são entregues: idade × gênero (nº de anúncios)
37 · Para quem os anúncios da disputa são entregues: idade × gênero (nº de anúncios)

A campanha paga da disputa ao Senado no Rio está falando com mulheres de meia-idade e com jovens, e não com o eleitor que decide a segunda vaga. A evidência é escancarada: entre os anúncios entregues no estado, mulheres de 65 anos ou mais respondem por cerca de um terço do total, mulheres de 25 a 34 por pouco mais de um quinto e mulheres de 18 a 24 por cerca de um sexto — somadas, as três faixas femininas concentram perto de sete de cada dez anúncios, enquanto os homens, em todas as idades juntas, ficam com menos de um terço. Vale dizer: o investimento digital da disputa fluminense é, hoje, uma operação de público feminino, e sobretudo de público feminino idoso e jovem. Pergunta óbvia: a quem interessa? A Benedita da Silva, que construiu quatro décadas de mandato na base feminina, evangélica e popular da Zona Norte e da Baixada, esse desenho entrega exatamente o seu eleitorado natural — e sugere que a máquina petista, ou quem compra por ela, já entendeu que a senadora se joga na fidelidade do voto feminino mais velho, não na conquista do centro. Já para Carlos Jordy, o alvo é estranho: o bolsonarismo digital do PL costuma caçar homem jovem, e são justamente os homens de 18 a 24 e de 25 a 34 que aparecem com peso relevante, mas dividindo espaço com mulheres de 65+ que dificilmente migram para o campo bolsonarista. Ou por outra: há dinheiro sendo queimado em faixas que não convertem para nenhum dos dois, e isso é sintoma de campanha que ainda não escolheu o seu eleitor.

Recapitulação rápida do que isso significa na disputa de duas vagas. O Rio elege dois senadores, e a briga real é pela segunda cadeira — Benedita e Jordy disputam o mesmo eleitorado antipetista e antibolsonarista que decide quem entra junto com o primeiro colocado. Nesse cenário, a segmentação etária e de gênero dos anúncios revela duas apostas distintas: uma campanha de continuidade, ancorada em voto feminino consolidado, e uma campanha de mobilização, que tenta reativar o jovem homem de direita — mas que ainda não encontrou o corte que lhe dê vantagem sobre Carlos Portinho, o outro nome do PL, e sobre Marcelo Crivella e Waguinho, do Republicanos, que disputam o mesmo eleitorado evangélico e conservador. Do lado da esquerda, Monica Benicio, do PSOL, e Pedro Paulo, do PSD, correm por fora: a primeira pode morder a faixa jovem e feminina que Benedita não alcança, o segundo pode capturar o centro que nenhum dos dois principais está mirando. Deve-se admitir o óbvio: enquanto a verba digital se concentra em mulheres de 65 anos ou mais e em jovens de 18 a 24, o eleitor de 35 a 54 anos — o que tem casa, conta e filho na escola, e vota em quem lhe fala de segurança e de custo de vida — fica com a menor fatia da entrega, e é precisamente aí que se decide a segunda vaga. Nenhum dos dois principais candidatos está, portanto, comprando o voto que lhe falta: Jordy não compra o homem de meia-idade da Zona Oeste e da Baixada que poderia arrancar de Portinho, e Benedita não compra a mulher de 35 a 54 que Monica Benicio e Pedro Paulo podem capturar no centro. A leitura política é simples e dura: a segmentação dos anúncios não é retrato do eleitorado fluminense, é retrato das certezas de cada campanha — e campanha que só fala com quem já a vota não cresce, apenas confirma. Quem corrigir esse alvo antes de outubro não estará apenas otimizando verba: estará escolhendo o eleitor que decide a vaga.

38 · Quanto se gasta: faixas de gasto dos anúncios da disputa (nº de anúncios)
38 · Quanto se gasta: faixas de gasto dos anúncios da disputa (nº de anúncios)

A propaganda paga da disputa ao Senado no Rio é uma campanha de troco miúdo: entre os anúncios veiculados no estado, 110 concentram-se na faixa de menos de R$100 e 40 na de R$100 a R$199 — juntas, essas duas faixas respondem por cerca de 75% do total, enquanto as faixas acima de R$1.000 somam pouco mais de 10% e apenas um anúncio aparece na faixa mais alta, de R$10 mil a R$15 mil. Traduzido para a lógica da eleição, isso significa que a maior parte do dinheiro digital dos candidatos fluminenses está sendo queimada em impulsos de baixo alcance, não em saturação de audiência: quem paga R$50 por anúncio compra visibilidade residual, não memória eleitoral. Para Jordy e Benedita, os dois polos da disputa, o dado é um alerta e uma oportunidade ao mesmo tempo — o campo bolsonarista, que costuma tratar o digital como artilharia pesada, aqui aparece disperso em micropulverização, e o campo lulista, que aposta em mobilização de base, pode converter essa dispersão alheia em vantagem se concentrar seus próprios anúncios em faixas de R$1.000 a R$4.000, onde a entrega por real investido tende a ser maior. A cauda longa de faixas intermediárias — R$200 a R$999, com cerca de 15% dos anúncios — sugere que os candidatos menos conhecidos, como Portinho, Crivella, Waguinho, Marcos Dias, Pedro Paulo e Monica Benicio, estão testando terreno sem compromisso de escala, o que os mantém vivos na conversa mas longe de virar onda. Numa eleição de duas vagas, em que a diferença entre o primeiro e o terceiro colocado costuma ser de poucos pontos, a eficiência do gasto digital não é detalhe de planilha: é a diferença entre aparecer e ser lembrado.